As duas últimas plantações de lúpulo resistem em Trás-os-Montes

Nos anos 70 e 80 do século passado, a produção de lúpulo teve uma grande expressão na economia do norte do país, principalmente nos distritos de Bragança e Braga.

Foi no final dos anos 60 do século passado que o lúpulo chegou a Portugal, vindo de Espanha. "Nessa altura começaram a aparecer as primeiras explorações na região". Quem o diz é António Rodrigues, um dos dois últimos produtores de lúpulo, a planta trepadeira que está na génese da cerveja.

Com o filho continuou um negócio de família que já vem desde esse tempo. Nos anos 70 e 80, o lúpulo prosperava na região transmontana ao ponto de ser apelidado de "ouro verde", salienta o produtor da aldeia de Pinela no concelho de Bragança.

Os preços e, principalmente, os elevados custos de produção inviabilizaram a cultura na região. "Na altura andavam dezenas de pessoas durante várias semanas a colher a planta "à mão". Dava muito trabalho e deixou de ser rentável. Para manter esta pequena produção tive que ir buscar máquinas à Alemanha e contar com a ajuda da Super Bock", diz o produtor da planta que dá cor, aroma e espuma à cerveja.

E para conhecer e perceber como é a planta trepadeira (que pode chegar a ter cerca de 7 metros) e a forma antiga e manual de colher o lúpulo, a Casa da Super Bock organizou uma visita guiada à exploração, com um grupo de pessoas vindas de dentro e fora do país.

Olessa é russa. Está em Portugal com o marido vai para um ano. Viu no Facebook a promoção da viagem. "Queria ver como é feita a indústria da cerveja que é tão grande. Não gosto de cerveja, mas estou a gostar", diz ainda com as mãos a ripar a flor da planta, única parte da planta que se aproveita para a cerveja.

Emanuel Silva, que veio de São João da Madeira, afirma que "Ver in loco uma plantação é realmente impressionante. Nós temos uma cultura rica em vinho, no país, e poderíamos dar mais um pouco de importância e promover esta cultura cervejeira".

O lúpulo é uma planta que se dá bem com temperaturas baixas no inverno e altas no verão, razão pela qual o tempo e os solos transmontanos são perfeitos para a cultura.

Luís Frutuoso é estudante de engenharia alimentar em Viana do Castelo. Tinha curiosidade em conhecer a planta. "Já tinha visitado a casa da cerveja mas fiquei sempre com curiosidade em conhecer a planta. Vim fazer a colheita e aqui desperta-nos aromas que chegam a ser afrodisíacos", refere.

No grupo também está Maria Florinda, brasileira. Está há seis meses em Portugal. O filho arrastou-a para ir ver a plantação de lúpulo. "O meu filho já produzia cerveja artesanal lá no Brasil, num pequeno quartinho e ele pediu-me para vir com ele e estou a adorar".

As duas únicas plantações de lúpulo que ainda resistem em Trás-os-Montes representam apenas 10% da necessidade da Super Bock, para onde vai toda a produção.

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