As perguntas sem resposta na polémica da CGD

O problema arrasta-se há quase um mês e quanto mais o tempo passa, mais aumentam as dúvidas. Centeno não responde a nada.

Até quando o Governo vai manter este impasse? António Domingues apresenta ou não a declaração de rendimentos? Fica ou sai? Mário Centeno vai retirar consequências políticas caso a administração da Caixa Geral de Depósitos renuncie? E, afinal, porque criou o Governo uma lei de exceção para os administradores da Caixa Geral de Depósitos? Perguntas para as quais não há ainda uma resposta clara por parte nem do governo nem da administração da Caixa.

A confusão instalou-se nas últimas semanas quando Marques Mendes revelou, no seu comentário semanal na SIC, que o Governo tinha criado uma lei à medida da nova administração da Caixa Geral de Depósitos. Essa lei, basicamente, desobrigava a gestão de António Domingues de apresentar a declaração de rendimentos, como qualquer gestor público.

Da primeira reação do Ministério das Finanças a garantir que não se tratava de um lapso, mas de uma vontade genuína do executivo em deixar a equipa de António Domingues de fora, às declarações do Primeiro-ministro e do Presidente da República a dizer que o que vale é a lei de 1983, ou seja que Domingues tem que apresentar a declaração de rendimentos, foi um pequeno passo.

A interpretação do Tribunal Constitucional é clara: a administração da CGD tem que entregar a declaração de rendimentos. E afinal, porque não o faz? Afinal, o que tem António Domingues a esconder? E a restante administração? Porque não querem apresentar a declaração de rendimentos? E que promessas tiveram do Governo? Quem está a falar verdade neste processo?

O Diário de Noticias escreve que na próxima quinta-feira a cúpula da Caixa Geral de Depósitos vai reunir-se para decidir se fica ou não. De entre os atuais administradores, executivos e não executivos, quem não se importa de entregar a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional? E se a maioria decidir não entregar, cai a administração em bloco ou saem apenas os administradores que não querem ver os rendimentos escrutinados?

Perante isto importa ainda esclarecer um detalhe. António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa dão o caso praticamente encerrado. O primeiro-ministro garante que não há plano B e remete para decisão do Tribunal Constitucional que já terá notificado os administradores da Caixa para entregarem a respetiva declaração. O chefe de estado aponta no mesmo sentido dizendo que o "tribunal decidiu, está decidido". O que sentirá António Domingues ao ler estas declarações?

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de