Autoeuropa: "A deslocalização é uma chantagem"

N'"A Opinião da TSF", Carlos Carvalhas afirmou que a utilização do argumento da deslocalização como chantagem é uma consequência do mercado aberto.

Carlos Carvalhas considera que a deslocalização tem sido usada como chantagem pelas empresas para obrigar os trabalhadores a aceitarem quaisquer condições de trabalho. No espaço de comentário da TSF, "A Opinião", o antigo líder comunista afirmou que tem existido uma "ofensiva " para pressionar os trabalhadores da Autoeuropa a aceitar as propostas da administração.

Apesar das negociações entre os funcionários e a administração da Autoeuropa, as conversas resultaram na imposição administrativa do trabalho ao sábado, o que, diz Carlos Carvalhas, não aconteceu numa fábrica da mesma empresa na Alemanha - onde a administração aceitou chegar a um acordo com os trabalhadores, alegando que o melhor para empresa era ter os funcionários motivados.

Na opinião do economista, mesmo quando os trabalhadores cedem às propostas das empresas, correm o risco de perder o emprego com a deslocalização das fábricas. O comunista aponta o casa da Opel da Azambuja onde, em 2005, a empresa e os trabalhadores chegaram a acordo, aumentando a produção. Mesmo com lucros, a empresa decidiu não cumprir o acordo e, um ano depois, deslocalizou a empresa para Espanha, onde lhe foram oferecidos custos de produção ainda mais baixos, lembrou Carlos Carvalhas.

O antigo secretário-geral do PCP afirma que esta é uma consequência do mercado aberto: as empresas andam sempre à procura dos países que lhes deem mais benefícios e vão usando o argumento da deslocalização como chantagem.

Para Carvalhas, esta é uma realidade que deveria ser combatida. "Os governos deviam ter possibilidade de recuperar a sua soberania monetária, pelo menos, quando estivessem em causa grandes interesses do país, dos trabalhadores de uma região. Poderem voltar a ter aquilo que já tiveram: o controlo de capitais", disse.

O economista alega que a ideia é até defendida por vários banqueiros e homens das grandes instituições financeiras - como o britânico Adair Turner -, que percebem que a livre circulação dos capitais favorece a instabilidade da esfera financeira, alimenta paraísos fiscais e torna as crises muito mais difíceis de controlar.

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