"Euro fica aquém" do esperado, diz Mário Centeno

O ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo questiona o papel do do dólar na economia mundial e defende um reforço do papel do euro no plano internacional.

"O euro é a segunda moeda do sistema monetário internacional, a seguir ao dólar, por uma larga margem. Contudo, o euro fica aquém do que seria de esperar dada a relevância económica da Europa no mundo", disse Mário Centeno na conferência "Para onde vai a Europa?", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta sexta-feira, em Lisboa, que "o euro fica aquém do que seria de esperar" no mundo, e questionou o papel dos Estados Unidos na economia mundial.

O também presidente do Eurogrupo defendeu que "o euro assumiu o seu estatuto de moeda global no momento da sua introdução, há precisamente 20 anos", mas "desde meados dos anos 2000" a moeda única "foi progressivamente perdendo importância", algo que se acentuou "com a crise financeira e com a crise da dívida soberana".

Por causa da crise, que para o ministro "foi um duro golpe nas aspirações internacionais do euro", foram expostas "deficiências no desenho institucional da moeda única", pelo que "dar resposta a estas deficiências é a melhor forma de reforçar a sua posição".

Para Mário Centeno, "reforçar o papel do euro implica garantir um lugar a par das outras moedas dominantes do sistema", mas sem "suplantar o dólar".

Apesar de dar esta garantia, o ministro das Finanças frisou no seu discurso que "as condições que permitiram (...) ao dólar assumir o papel principal nos sistemas monetário, financeiro e de pagamentos não mais se mantêm", uma vez que "a proeminência do dólar no século XX" era justificada pela "hegemonia americana aceite em grande parte do mundo".

Hoje, "a inclusão do renmimbi no cabaz de moedas do Fundo Monetário Internacional foi uma vitória da China na corrida para o topo a que assistimos nos anos recentes", assinalou.

"A legitimidade dos Estados Unidos tem sido cada vez mais contestada em face do aparente abuso da posição dominante do dólar, em prejuízo dos seus aliados e em detrimento de valores e regras comuns", assinalou.

Como exemplos desse domínio, Mário Centeno salientou "a aplicação de sanções ao Irão", as "tentativas de influenciar o valor do dólar através da comunicação política" e as "barreiras políticas criadas para que as autoridades monetárias americanas possam desempenhar o papel de credor de último recurso num contexto de crise".

No sentido de contrabalançar este domínio, Centeno defendeu que "um sistema mais equilibrado, com mais do que uma moeda global, traria maior estabilidade à economia mundial, por via da diversificação".

"Isto será especialmente importante num cenário de crise em que o Estado que controla a moeda dominante se recusa a providenciar a liquidez necessária ao sistema internacional", alertou, considerando que "este não é um risco negligenciável nos dias que correm e em face do debate e situação política nos Estados Unidos da América".

Para evitar estes riscos, o presidente do Eurogrupo disse que "no fim de contas, um euro mais forte no plano internacional reforçaria a capacidade da Europa de projetar a sua influência e reformar a ordem mundial".

Reconhecendo que "não há uma solução mágica para reforçar o papel internacional do euro", e que "é um projeto que não cabe no espaço de um 'tweet'", o governante disse que é necessário "completar a União Económica e Monetária".

Neste sentido, Centeno afirma que se pode completar o processo "reduzindo a fragmentação no sistema bancário e no mercado de capitais, respetivamente completando a União Bancária e construindo a União dos Mercados de Capitais".

O ministro voltou a frisar a importância de se "assegurar que a política monetária se complementa com uma capacidade orçamental", classificando de "passo histórico" o acordo "para desenhar um instrumento orçamental dedicado aos países do euro".

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