Centeno sobre Novo Banco: "Não enganámos rigorosamente ninguém"

Ministro das finanças garante que as perdas do Novo Banco acontecem porque na resolução do BES a instituição ficou com muitos ativos que fizeram dele, afinal, um banco mau.

Mário Centeno culpa o governo anterior e o Banco de Portugal pelas perdas avultadas do Novo Banco, que vai pedir mais 1,2 mil milhões de euros ao Fundo de Resolução (dos quais 850 milhões serão emprestados pelo Estado).

Questionado na comissão parlamentar de finanças, o ministro afirmou que "o que foi tentado esconder dentro do Novo Banco como banco bom, a verdade é que parte desse banco era um banco muito mau". O governante referia-se à resolução decidida em agosto de 2014, momento em que o Banco de Portugal partiu o BES em dois, com a intenção de colocar a parte boa no Novo Banco.

Para Mário Centeno, esse objetivo não foi atingido: "a parte má que deixaram ficar no Novo Banco vem ao de cima como o azeite", afirmou, concluindo que "essa parte má é um fardo que o Novo Banco carrega".

O responsável pelo Tesouro assegura por isso que "não enganámos rigorosamente ninguém porque assumimos que havia 3,89 mil ME em risco no mecanismo de contingência".

O ministro afirmou que sabendo que havia ativos em risco, não havia outra solução senão aceitar a criação do mecanismo de contingência, onde ainda assim o governo não aceitou prestar garantias sobre todos os ativos problemáticos, tendo negociado que as responsabilidades do Fundo de Resolução foram "limitadas" a 3,9 mil milhões de euros, e criado ainda "mecanismos de monitorização permanentes da gestão dos ativos incluídos no mecanismo de contingência. Esses mecanismos passam pelo trabalho da comissão de acompanhamento da gestão que se faz daqueles ativos, que tem de dar autorização a todas as transações com aqueles ativos", sublinhou.

Centeno considerou ainda que "alguma coisa de muito sério se passou no insucesso da primeira venda" (em 2015, ainda no governo de Passos Coelho).

O ministro justificou ainda a auditoria pedida ao Novo Banco: "tem uma razão de ser: o paralelismo com a auditoria à Caixa. É preciso apurar responsabilidades e nomes".

Novo Banco não será liquidado

Centeno garantiu ainda que o Novo Banco não vai ser liquidado: "este governo nunca enjeitou responsabilidades para garantir a estabilidade do país", afirmou, acrescentando que "um dos compromissos que existe neste processo é que o Novo Banco, pelo efeito sistémico que tem, não vai ser liquidado".

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