Descida do IVA na restauração: nem menus mais baratos, nem mais emprego

A um mês da descida do IVA na restauração de 23 para 13%, a maioria dos empresários ouvidos pela TSF no Algarve e no Porto diz que não pensa baixar preços nem criar muitos postos de trabalho.

Quem pensa ver os preços mais baratos a partir do próximo mês nas ementas dos restaurantes pode ter uma desilusão. Os proprietários de estabelecimentos de restauração argumentam que também nada alteraram quando o IVA subiu para 23%

.Nuno Horta,que gere um restaurante na marginal de Olhão, em matéria de preços nada vai alterar."Andámos os últimos 4 anos na penúria", justifica.

Luís do Livramento, que tem outro restaurante em Olhão, também não vai baixar preços. Revela que quando o anterior Governo decidiu subir o IVA da restauração teve que despedir gente. "Tinha quatro pessoas na cozinha, passaram a duas pessoas", revela. Segundo este empresário a descida do IVA vai permitir a contração de "mais uma ou duas pessoas, pelo menos durante o verão".

Andreia Parreira, proprietária de outro restaurante também não irá descer preços nos menus e vai contratar funcionários apenas durante o verão. Está convencida de que no inverno tudo voltará ao normal e que a descida do imposto "não trará mais emprego".

Assumindo uma atitude diferente, o empresário Nuno Horta , garante que esta medida vai permitir pagar melhor aos seus 10 funcionários e também recuperar dinheiro perdido nos últimos anos. "Isso vai gerar receitas para a economia", antecipa.

O único restaurante visitado pela TSF que prevê alterar preços é o de Luís Graça. "Como tenho que mudar as ementas de 3 em 3 meses, vou mudar os preços, vou baixar", garante o empresário.

Esperar por setembro

No centro da cidade do Porto, no restaurante Bella Roma, Marcelo Costa diz que há a ideia errada de que com a reposição do IVA haverá uma descida dos preços. "A verdade é que isso não vai acontecer, porque quando aumentou o IVA os preços ficaram iguais".

O sócio gerente deste restaurante, na rua Sampaio Bruno, conta que os últimos anos foram difíceis, a carga fiscal aumentou e o dinheiro dos clientes ficou "mais curto". Só em setembro é que vai ter noção do impacto desta descida mas já sabe como aplicar a folga no orçamento. "Investir, atualizar, melhorar, inovar. Há margem até quem sabe para criar novos postos de trabalho", garante.

Um pouco mais à frente, na rua do Bonjardim, em pé, junto à caixa registadora, a gerente do restaurante Regaleira não tem grandes expectativas. "Não acredito que vá trazer mais clientes, as expectativas não são muito otimistas. As pessoas continuam com dificuldades".

Por isso, Tânia Ferreira defende que a possibilidade de usar a poupança conseguida para contratar mais funcionários não é certa. "A contratação vai depender do fluxo de clientes, mas não sei se isso vai acontecer ou não".

Na baixa do Porto, seguimos para a Rua do Almada. Hélder Pinto é um dos sócio gerentes do Tasco. "Eu acredito que trazer mais clientes ou não tem a ver com o serviço e a qualidade". Mas não tem duvidas de que esta medida dará novo fôlego às empresas, poupança que deve ser usada para melhorar as condições de trabalho.

"Baixando para os 13% acho que é possível melhorar a qualidade não só para o cliente, mas também para os funcionários. É agressivo o que as pessoas passam", conclui.

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