Eurodeputados criticam TAP pelo fim de voos no Porto

Paulo Rangel e Elisa Ferreira dizem que não há justificação para o fim de várias ligações aéreas entre o Porto e algumas cidades europeias. Empresários e a Câmara de Gaia também mostram preocupação.

Está a ser mal recebida a intenção da TAP em acabar com voos do Porto para vários destinos, já a partir de 27 de março.

Serão eliminados voos para Barcelona, Bruxelas, Milão e Roma, numa medida que também abrange o fim de ligações de Lisboa para Gotemburgo, Hannover, Zagreb, Budapeste e Bucareste.

Em declarações à TSF, o eurodeputado Paulo Rangel diz temer que esta decisão "seja o primeiro passo para o esvaziamento do aeroporto Sá Carneiro".

O social-democrata questiona sobretudo o fim da ligação a Bruxelas, que costuma usar: "É estranho que a TAP ache que não tem procura, porventura não está a utilizar preços que outros têm e que são competitivos".

Também a eurodeputada socialista Elisa Ferreira considera "bastante preocupante" e diz que "não se justifica" o fim das ligações.

"Significa a recentralização para Lisboa", numa das zonas mais populosas do país e que consegue captar passageiros da Galiza.

"Alguns voos atraem muita gente espanhola", sublinha Elisa Ferreira lamentando que "a companhia nacional desista de fazer estas ligações".

"Quando se privatiza uma companhia nacional, o resultado possível é este mesmo: só o que é lucrativo é que é feito", acrescenta Elisa Ferreira.

A eurodeputada espera que "a decisão seja revista ou que as low cost ocupem definitivamente este espaço".

Empresários também estão contra

"Não consigo entender a decisão", diz à TSF Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP).

"Uma rota como Milão, é fundamental para um industrial de calçado", exemplifica, acrescentando que "muitos empresários vão a Bruxelas" e que Barcelona também é um destino importante devido à "componente industrial que tem".

Para a ACP, os empresários do norte "vão perder tempo e dinheiro" e "o Porto será tratado marginalmente" devido ao "critério de concentrar a operação em Lisboa". O dirigente da ACP admite "trabalhar com outras companhias aéreas" porque entende que não estão reunidas condições "para voltar a discutir" com a TAP "seja o que for" porque soube da decisão pelos jornais, quando tinha "garantias" de diálogo por parte da administração da companhia aérea.

Câmara de Gaia fala em má-fé

O presidente da Câmara de Gaia, classificou de "errado", "injusto" e de "alguma má-fé" o anúncio da TAP. Segundo o autarca trata-se de um "modelo que fragiliza enormemente o País e, em particular, a região".

Eduardo Vítor Rodrigues diz que esta é uma decisão "totalmente errada de uma administração que olha para estas rotas numa lógica meramente economicista" ou se calhar até nem isso, "porque do ponto de vista economicista fazia sentido manter estas rotas e não fazer uma gestão de contabilidade reducionista".

"A TAP dá um péssimo exemplo, e se a TAP não quer a região, vai chegar um momento em que a região também não vai querer a TAP e o mercado vai funcionar. Esse é um perigo que a TAP também corre", argumentou o autarca.

A TSF contactou a autarquia do Porto, que remeteu para um comunicado do presidente onde se pode ler que a suspensão dos voos não é preocupante.

TAP explica-se

O porta-voz da companhia aérea, António Monteiro justificou a decisão com a falta de procura nestas ligações. "Há situações em que a procura é bastante maior e nos permite suportar melhor as necessidades de investimento que a TAP tem estado a fazer", disse à TSF.

António Monteiro lembra que companhia "tem que dar resultados positivos e só assim é que é útil à economia nacional" de modo a "no futuro alargar a sua operação".

Ontem a TAP já tinha também anunciado que vai suspender as ligações para Bogotá, Cidade do Panamá e Manaus.

A companhia garante à TSF que durante este ano não pretende suspender mais ligações e promete, assim que possível, retomar os voos que agora vão ficar suspensos.

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