Gestores da Caixa "não entenderam o que estavam a assinar" em operação ruinosa

Ex-presidente do banco público acusa administração anterior de não saber o que estava a fazer quando autorizou operação que viria a revelar-se ruinosa para a instituição, com prejuízos de 340 milhões de euros.

João Salgueiro, que liderava a Caixa Geral de Depósitos em 1999, quando autorizou a operação Boats Caravela - que viria a provocar perdas de 340 milhões de euros - "não se apercebeu do risco" da operação à qual deu luz verde.

A acusação é do presidente que sucedeu a Salgueiro. Escutado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao banco público, António de Sousa sublinhou que se tratou de uma "operação complexa", e que "alguns administradores não entenderam o que estavam a assinar".

"Penso que não foi totalmente compreendida por toda a gente. Era bastante complexa", admitiu António de Sousa. "Penso que o Dr. João Salgueiro - pelo menos, fiquei convicto disso - não se apercebeu de qual era o risco que estava subjacente a uma operação daquelas", acrescentou ainda.

Por outro lado, as reuniões para debater a operação que seria posta em curso "foram muito genéricas, não houve temas que fossem muito abordados". A falta de memória, no entanto, atraiçoa António de Sousa, que recorda com dificuldade em que contexto decorreram as discussões. "Diria que, quando muito - estou a falar de coisas que aconteceram há 19 anos -, e se não me engano, dois almoços e uma reunião, ou um almoço e uma reunião", explicou o ex-presidente da Caixa.

Na comissão parlamentar de inquérito, António de Sousa garantiu também que foi Vítor Constâncio quem lhe comunicou o conteúdo da carta enviada ao ministério das Finanças por outro antigo administrador do banco, Almerindo Marques, que saiu em desacordo com a liderança de António de Sousa. Há semanas, nesta mesma comissão, Vítor Constâncio afirmou não se lembrar da existência de tal missiva, mas António de Sousa garante que foi Constâncio quem lha deu a conhecer. "Foi o senhor ministro das Finanças da altura e o senhor Governador do Banco de Portugal da altura", rematou.

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