Ex-presidente da EDP considera que "maior renda" da elétrica foi criada em 1996

João Talone revelou que o processo de criação de rendas surgiu com os Contratos de Aquisição de Energia.

O antigo presidente da EDP, João Talone, considera que foi em 1996 que Portugal criou a maior renda da elétrica, devido à criação dos Contratos de Aquisição de Energia (CAE).

Talone, que liderou a EDP entre 2003 e 2006, foi ouvido esta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito às rendas excessivas no setor elétrico e revelou que foi com a criação dos CAE que o processo de criação de rendas começou. Em 1996, quando a EDP ainda era pública, nasceu "a maior renda alguma vez criada em Portugal".

Estes contratos, feitos já no século passado estavam "blindados" pela EDP, assim como os que os substituíram depois da privatização da empresa. Esta blindagem foi feita de forma a não perder os ganhos da empresa, o que levou Talone a admitir que teve um papel ativo nessa ação.

"Se quer que lhe diga com franqueza, estavam blindados os dois. Estavam blindados os CAEs e a minha obrigação enquanto presidente executivo da EDP era dar uma blindagem aos Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) equivalente à que tinham os CAEs. Acho que cumpri com a minha obrigação", considera João Talone.

Entre as duas audições de hoje - a do ex-presidente da REN José Penedos, de manhã, e a do ex-presidente da EDP João Talone, que decorreu esta tarde - a mesa e coordenadores da comissão parlamentar de inquérito ao pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade reuniu-se e agendou a audição de mais 11 personalidades.

Fonte parlamentar adiantou à agência Lusa que para 17 de outubro ficou agendada a audição do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, sendo esta a última data deste lote de inquirições previstas.

Em 26 de setembro, os deputados querem ouvir Manuel Lencastre (secretário de Estado do Desenvolvimento Económico entre 2004 e 2005) e, no dia seguinte, Álvaro Barreto (ministro da Economia entre 2004 e 2005).

Para 3 de outubro a comissão tem prevista a inquirição de Orlando Borges (presidente do INAG entre 2000 e 2012), para 4 de outubro a de Vítor Batista (administrador da REN até 2009).

Maria João Baía (antigo quadro da REN) e Rui Cartaxo (ex-presidente da REN) serão ouvidos pelos deputados em 09 de outubro.

A ida do ex-diretor da DGEG Miguel Barreto à comissão de inquérito está prevista para 10 de outubro e, para dia 11, o ex-secretário de Estado da Energia Castro Guerra.

O presidente da Assembleia Geral da EDP, António Vitorino, que em 2007 foi o representante indicado pelo Estado nas negociações com a Comissão Europeia, será chamado a prestar depoimento no parlamento em 16 de outubro.

Nesse mesmo dia, Nunes Correia, que foi ministro do Ambiente entre 2005 e 2009, também será ouvido pelos deputados desta comissão.

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