100 euros. 2% de taxa de juro. Dois em cada cinco portugueses falham nas contas

Não é só a matemática que está em causa. Conheça os resultados de um estudo que analisou a literacia financeira dos portugueses. O resultado não é brilhante, mas também não é dos piores.

Quase 40% dos portugueses não conseguem calcular o resultado de uma simples taxa de juro de 2% ao fim de um ano se tiverem 100 euros investidos numa conta a prazo.

A conclusão está num estudo da Rede Internacional para a Educação Financeira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O relatório divulgado esta quarta-feira em Paris procura conhecer a literacia financeira em 30 países desenvolvidos e os portugueses até ficam acima da média. Mas continuam a existir, em quase todos os países avaliados, vários indicadores que os especialistas consideram preocupantes.

Em Portugal apenas 61% dos inquiridos conseguiu responder a uma questão que perguntava quanto dinheiro a pessoa teria ao fim de um ano numa conta com 100 euros se o juro (sem a existência de impostos) fosse de 2%.

A resposta era 102 euros e o objectivo da pergunta era testar a capacidade para calcular o resultado de uma "simples taxa de juro".

Nuno Guedes leu o relatório da literacia financeira

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Se a questão for mais complicada e tentar saber o valor acumulado na conta ao longo de cinco anos, o chamado juro composto, muito comum nos depósitos a prazo nos bancos portugueses, a percentagem de respostas certas desce para 41%.

Além destes resultados, quase metade dos portugueses (45%) falhou também em questões para perceber se sabiam medir o impacto da inflação nas suas poupanças.

Portugueses têm alguma literacia financeira, mas não conseguem poupar

Apesar dos resultados anteriores, os portugueses até têm resultados razoáveis na comparação com outros países no índice global de literacia financeira calculado por este estudo: 14 valores, numa escala de 0 a 20, quando a média da OCDE é de 13,7.

Cerca de 60% dos portugueses conseguem responder corretamente a pelo menos 5 de 7 questões vistas pelos especialistas como importantes.

Os portugueses são contudo dos que menos poupam com apenas 37% (quase metade da média da OCDE) a dizerem que pouparam no último ano.

Um número que se explica por outra pergunta do inquérito que revela que cerca de um terço afirmaram que os seus rendimentos nem sempre chegam para pagar todas as despesas. E 16% admitiram que já tiveram de recorrer a empréstimos para responder a todas as contas mensais.

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