Entrevista TSF Dinheiro Vivo

"Altice não se opõe à entrada do Estado no SIRESP"

Em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo, o presidente da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, comenta uma possível entrada do Estado no SIRESP e uma eventual nacionalização das redes da PT, pedida pelo Bloco de Esquerda.

O Governo manifestou intenção de fazer o Estado entrar no capital do SIRESP, tornando-se assim o acionista maioritário. A pergunta é se acha que faz algum sentido o Estado entrar no SIRESP e se a Altice tem alguma coisa a opor?
Bem, começando pelo fim, a Altice tem 30% da Sociedade SIRESP SA, é um acionista de referência mas não é o maior acionista e também já agora não é a SIRESP porque muita gente confunde e diz que a SIRESP é a Altice. Não, não é. A Altice Portugal nem sequer é o maior acionista da SIRESP SA. Nessa perspetiva, somos acionista minoritário e não temos nada a opor contra nenhuma alteração societária que nos tenha sido apresentada até ao momento. Sobre o racional da entrada do Governo, bem, se eu não me pronuncio sobre os negócios do grupo Altice, muito menos vou-me pronunciar sobre temas políticos porque não é, de facto, a minha área de competência e, portanto, eu não vou comentar nem positiva nem negativamente, foi uma intenção que eu também conheço, foi tornada pública através de um conjunto de conferências de imprensa e nós se formos confrontados com essa situação em sede do conselho de administração com certeza que, no caso específico de ser colocado o caso do acionista Estado querer integrar o capital, havendo interessados em vender, havendo interessados em comprar, nós não nos vamos opor.

O Bloco de Esquerda tem vindo o resgate por parte do Estado das redes de comunicações geridas pela Altice. Se isto acontecesse, que significado é que teria? Que consequências é que teria?
Antes de ir ao detalhe, eu diria que teria como principal consequência nós sermos o único país do mundo que faria uma nacionalização de uma rede de comunicações, se calhar é esse eventualmente o vetor número 1 que essas entidades que fazem essas afirmações têm, talvez publicitar Portugal pelos piores motivos a nível daquilo que é o ambiente económico a nível global. Se calhar por falta de alguma experiência empresarial das pessoas que fazem esse tipo de observações, não sei, mas o que sei que é seria caso único. Agora, sobre a racionalidade ou não racionalidade vamos lá ver, estas são redes de elevada criticidade, redes que já aqui falámos inclusivamente de temas como a obsolescência e a renovação tecnológica, capacidade de implementação de redundância, e se calhar algumas pessoas esquecem-se que isto custa dinheiro. É como as coisas lá em nossa casa, nós quando enchemos a nossa despensa temos de ir ao supermercado e temos que gastar dinheiro e eu de facto tenho algumas dúvidas que o Estado seja a melhor entidade e seja entidade com mais capacidade para fazer este dispêndio de centenas de milhões de euros para fazer investimentos desta grandeza. Recordo só uma coisa muito importante, a Altice Portugal investiu nos últimos três anos em Portugal 1200 milhões de euros, o nível de investimento da Altice em Portugal com o país foi de 1200 milhões de euros. Uma boa parte destes 1200 milhões de euros foram destinados exatamente às redes que alguns agora querem nacionalizar, é este o nível de investimento que uma operação e uma operadora como a Altice Portugal tem colocado no país. 1200 milhões de euros para dotar o país de infraestruturas de comunicação do melhor que se faz a nível global e para permitir efetivamente aproximar Portugal do mundo e as populações do interior do país daquilo que é obviamente o centro da economia mundial. Este nível de investimento é único, somos provavelmente o maior investidor em Portugal e uma boa parte deste investimento, volto a referir, é em redes desta natureza. Isto é algo que tem de ser contrabalançado com afirmações populistas ou demagógicas como nacionalizações de peças fundamentais da economia nacional que recordo é um setor que vale 5 mil milhões de euros do PIB...

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