Apoios do Estado chegam a quem não merece. E ricos deviam pagar mais impostos

A OCDE está preocupada com o sentimento de injustiça que está generalizado na maioria dos países, incluindo em Portugal.

Portugal é o país desenvolvido onde mais pessoas, quase 90%, acreditam que muitos recebem apoios do Estado sem os merecer. A conclusão está num inquérito promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para compreender os temas que mais preocupam as populações em 21 países e como é que os governos estão a reagir a esses problemas.

O estudo da OCDE constata que há na maioria dos países um sentimento de injustiça que se sente, por exemplo, na ideia de que há muitos acessos injustificados a apoios públicos, questão onde Portugal se destaca, no topo, com 88,2%.

No entanto, esse sentimento de injustiça também se sente noutro número: 79,7% dos portugueses - de novo o resultado mais alto entre os 21 países - acreditam que os mais ricos deviam pagar mais impostos para apoiar os mais pobres.

Há ainda uma esmagadora maioria (88,5%) que acha que o Governo devia fazer mais para garantir o bem-estar social e económico, apesar de serem raros (12%) os que acreditam que recebem do Estado aquilo que deviam, tendo em conta aquilo que lhe pagam.

Mais frequentes, mas ainda assim pouco comuns (18%) são aqueles que pensam que facilmente têm acesso a apoios do Estado caso precisem.

Finalmente, grande parte da população dos países da OCDE, entre elas 70% dos portugueses, acredita que o Governo não está a trabalhar para elas ou a ouvi-las como devia quando decide os apoios sociais.

Na análise que faz aos resultados globais deste inquérito aplicado em 21 países, o diretor para as áreas do trabalho e políticas sociais da OCDE argumenta que os resultados a que chegaram são "profundamente preocupantes".

Stefano Scarpetta detalha que estamos a falar de países que gastam muito dinheiro em políticas sociais e que estas políticas de facto conseguem resultados positivos, mas as pessoas estão "claramente descontentes com os serviços públicos que têm e dizem que estes são de difícil acesso", o que se traduz, também, num forte sentimento de injustiça.

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