Até onde estão dispostos a ir os motoristas em greve?

Os motoristas de transportes de matérias perigosas começaram a cumprir os serviços mínimos, reabastecendo 40% dos postos. A previsão é de que o combustível volte a acabar brevemente. Sindicato diz que está disponível a aguentar tudo até que haja resposta para as suas reivindicações.

Durante esta manhã, foi feito apenas o transporte de combustível para o aeroporto de Lisboa. A partir das 12h00 os camiões cisterna começaram a abastecer 40% postos de gasolina em Lisboa e no Porto. Em declarações à TSF, o vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, explicou que o sindicato e o Governo chegaram a um acordo para que as operações começassem a esta hora, apesar do que está na lei.

"A requisição civil previa que as empresas nos avisassem com 48 horas de antecedência, para que o sindicato pudesse indicar, nas 24 horas seguintes, quais os motoristas que estariam afetos [ao cumprimento dos serviços mínimos]. Chegámos a um consenso entre as partes de que não se iriam esgotar essas 48 horas, tendo em conta o Estado do país, e que, logo após o descanso dos profissionais, começariam a ser distribuídos os serviços para abastecer 40% dos postos de Lisboa e Porto", adiantou Pardal Henriques.

"Ficou claro que seria necessário que se fizesse o descanso obrigatório porque se trata do transporte de matérias perigosas - e, ainda que não fossem matérias perigosas, os motoristas têm que andar a conduzir -, por isso, pedimos que só às 12h00 fossem restabelecidos os serviços", acrescentou.

Pardal Henriques salvaguarda, no entanto que nem os restantes municípios do país, além de Lisboa e do Porto, nem os serviços públicos de transporte desses dois grandes centros urbanos estão abrangidos pela requisição civil.

O vice-presidente do SNNMP adiantou também à TSF que o sindicato vai voltar a reunir-se, esta quarta-feira, com o Governo e com ANTRAM, a quem Pedro Pardal Henriques atribui as culpas pelo "estado de calamidade" em que o país se encontra.

"Espero que o sr. presidente da ANTRAM coloque a mão na consciência e perceba que, pelo braço de ferro que está a fazer, está a colocar o país num estado de calamidade", atirou Pedro Pardal Henriques.

O vice-presidente do SNNMP lamentou ainda que o Governo não tenha a dignidade de enfrentar as reivindicações de quem está em greve há três dias.

"Acho lamentável que se ande só a pensar na questão dos serviços - o que é importantíssimo, porque o país todo entrará em colapso - mas ninguém tenha a dignidade de se sentar com estas pessoas e perguntar porque estão há três dias a fazer greve", comentou.

"Estamos a atentar passar por cima de um problema como se ele não existisse. Temos que garantir os serviços mínimos, mas o melhor seria garantir a normalidade do país", sublinhou.

Pedro Pardal Henriques garante que os motoristas estão disponíveis "a aguentar o máximo possível para mostrar a estas pessoas que o problema que tem que ser resolvido - pela ANTRAM e pelo Governo".

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