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Bancários e trabalhadores dos seguros criam mega sindicato. É o maior do país

Até agora dispersos por várias organizações sindicais, bancários e funcionários das seguradoras unem-se numa entidade que representará mais de 50 mil associados - a maior do país.

Vai ser o maior sindicato do país: quatro organizações sindicais do setor financeiro anunciam nesta sexta-feira uma fusão que vai resultar na maior organização sindical portuguesa, que vai representar todo o setor financeiro e começa com pelo menos 50 mil associados.

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Rui Riso, presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas - e que vai ser candidato à liderança da nova entidade - explica que o objetivo é abranger um maior número de trabalhadores, e ter dessa forma mais poder negocial por exemplo em processos de reestruturação de bancos que impliquem despedimentos: "Será uma solução mais eclética, e isso é que faz a grande diferença", explica o sindicalista que será candidato à liderança da nova organização: "em determinados momentos quando estamos a negociar, fazemo-lo apenas para uma parte dos trabalhadores que faz parte de uma das organizações". Com o novo mega sindicato, "passamos a ter uma representatividade mais eclética, mais abrangente, e esperamos ter mais força para melhor defender os interesses dos nossos associados", afirma.

Este será, explica Rui Riso, o maior sindicato do país, dado que uma das organizações que lhe vai dar origem já compete pelo primeiro lugar na lista de sindicatos com maior número de associados: "o Sindicato dos bancários do sul e Ilhas se não for o maior será seguramente um dos maiores em termos de ter sócios que pagam as quotizações", revela.

A dimensão invulgar do novo sindicato - que é agora anunciado mas que ainda deverá demorar cerca de um ano a estar operacional - explica-se em parte com o grande grau de sindicalização no setor financeiro, que é superior a dois terços do universo total de 75 mil trabalhadores. Rui Riso recorda que "os bancários durante muito tempo não tiveram qualquer proteção na saúde e foram os sindicatos a responder pela saúde dos trabalhadores e respetivas famílias". Isso, explica, "fez com que haja uma relação direta entre os sindicatos e os serviços de saúde e isso cria esta apetência para a sindicalização".

A nova organização resulta da fusão dos sindicatos dos Bancários do Sul e Ilhas, dos Bancários do Centro, dos Profissionais de Seguros e dos Trabalhadores da Atividade Seguradora.

O processo burocrático começa agora e deverá demorar cerca de um ano

Auditoria e Inquérito à CGD: apurar responsabilidades sem abalar confiança

Questionado sobre a polémica em torno da auditoria à Caixa, o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas considera que é fundamental que a confiança no banco público não seja abalada, e para isso é preciso distinguir a instituição financeira das pessoas que a lideraram: "a auditoria é importante para apurar responsabilidades civis sobre quem possa ter prejudicado a Caixa e por consequência o erário público", admite, alertando no entanto que "temos de ter distanciamento suficiente para não colocar em causa a confiança que a Caixa recuperou no mercado e já agora para poupar quem dá a cara pela Caixa".

Rui Riso aplica lógica semelhante às propostas de criar uma nova comissão de inquérito sobre a CGD: "tudo quanto seja para clarificar e apurar responsabilidades é boa ideia quando se suscitam dúvidas", enfatiza, recordando que "é preciso entender que a área bancária é muito sensível, tem muitas regras que vão para além de outras, como questão do sigilo bancário, e isso tem de ser acautelado sob pena de se pôr em causa a confiança que os portugueses têm na Caixa".

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