Economia

Banco de Portugal mantém previsão de crescimento e acredita na meta para o défice

É um jogo de soma nula: mais consumo privado, menos investimento e exportações. O PIB deverá crescer 2,3% neste ano, tal como nas estimativas do Governo. Desemprego deverá baixar para 7%.

O Banco de Portugal mantém a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, indo ao encontro das estimativas do Governo: a riqueza produzida no país vai aumentar 2,3%.

No Boletim Económico de outubro, o regulador assinala no entanto que há alterações nas componentes da riqueza gerada no país: enquanto o consumo privado vai crescer mais do que o regulador pensava na última projeção (2,4% em vez de 2,2%), as exportações, que em 2017 cresceram 7,8%, vão abrandar (aumentando 5% em vez dos 5,5% projetados no último boletim).

O investimento vai subir 3,9% - muito menos do que os 5,8% que o Banco de Portugal estimava há pouco mais de três meses. Esta forte desaceleração ficará a dever-se por um lado a perspetivas moderadas na procura global, e a incertezas externas relacionadas com o crescimento de políticas protecionistas.

As projeções do Banco de Portugal aponta para a continuação das melhorias no mercado de trabalho: a população ativa vai voltar a aumentar, apesar do contexto demográfico adverso, e o emprego vai crescer 2,3% (ainda assim em desaceleração: é menos um ponto percentual do que em 2017), enquanto o desemprego, que no ano passado foi de 8,9%, deverá cair para 7%, abaixo dos 7,2% estimados em junho.

Neste capítulo aliás o regulador sublinha uma aceleração do crescimento dos salários que se iniciou em 2016, na sequência da melhoria da economia verificada desde 2015.

A estimativa para a inflação não sofreu alterações: deverá atingir 1,4%, numa queda de 0,2 pontos percentuais em relação aos números de 2017.

Défice atingível mas há riscos

O Banco de Portugal considera que a meta para o défice público de 0,7% é atingível, mas acredita que subsistem riscos: pressão no lado da despesa, com o fim do regime dos duodécimos no pagamento do subsídio de Natal no Estado, o descongelamento das carreiras na função pública, e ainda a garantia do Estado na resolução do Banco Privado Português (BPP).

Crédito para comprar casa sobe mas ainda está abaixo de 2010

Num contexto de dinamismo - há quem fale em crise - do mercado imobiliário, com o consequente crescimento da concessão de crédito neste setor, o Banco de Portugal sublinha que, ainda assim, do valor total gasto na aquisição de imóveis, menos de 40% resulta de empréstimos de instituições financeiras. A proporção, que em 2010 excedia 60%, já ultrapassou o patamar mínimo de cerca de 25% atingidos em 2015, mas está muito longe dos valores pré-crise.

Neste capítulo, o Banco de Portugal assinala que em Lisboa e no Porto esse rácio é menor do que no resto do país, explicando que o investimento estrangeiro e a compra de imóveis por parte de empresas poderá estar a ter um peso maior nas transações.

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