Economia

Lucros do BCP disparam para 186,4 milhões

Millennium multiplica lucro por oito e passa de 23,9 milhões em 2016 para 186,4 milhões em 2017. Redução do malparado foi além da meta. BCP não vê motivos para que Mexia e Carlos Silva não continuem.

O banco destaca na apresentação de resultados uma "evolução favorável do resultado da atividade em Portugal", sublinhando, por outro lado, uma estabilização da atividade internacional.

Em Portugal, o BCP conseguiu no ano passado lucros de 39 milhões de euros, com o banco a destacar a diminuição de provisões e imparidades. Já a atividade internacional contribuiu para os lucros com 146,2 milhões de euros.

O Millennium realça que a redução do crédito malparado ficou acima dos objetivos: a diminuição de 1,8 mil milhões verificada em 2017 resultou num montante total de 6,8 mil milhões, o que fica "claramente abaixo do objetivo anunciado de 7,5 mil milhões".

A instituição destaca também um "crescimento da carteira de crédito performing [de boa qualidade] em Portugal em 2017, o que já não ocorria há 8 anos".

O BCP registou também um aumento do número de clientes: o crescimento de 300 mil elevou para 5,4 milhões o total de utilizadores do banco.

As comissões bancárias renderam 546,6 milhões de euros, num aumento de 2,7% em relação ao ano anterior.

O BCP consegue desta forma atingir resultados positivos pelo terceiro ano consecutivo. Ainda assim, feitas as contas aos últimos dez anos, o resultado global é negativo: o millennium soma um prejuízo de 1,86 mil milhões de euros.

BCP 2008-2017

Redução "clara" de quadros fora do horizonte

Amado sublinhou ainda a necessidade de o banco melhorar o rácio cost-to-income de 45% para 40% num prazo de "três ou quatro anos", explicando que o Millennium vai apresentar, em meados deste ano, um plano de restruturação nesse sentido. Recusou, no entanto, que esse plano contemple uma redução "clara" do quadro de pessoal, e exemplificou com o que a esse nível aconteceu no ano passado. Em 2017 saíram 140 pessoas.

BCP entende que António Mexia e Carlos Silva podem continuar

Questionado sobre a permanência na administração do BCP de dois nomes envolvidos em casos de justiça, Amado garantiu que o Conselho de Administração e a comissão que acompanha os temas de governance debateram o tema e não encontraram motivos para decidir a saída dos dois gestores.

O vice-presidente Carlos Silva (que é também presidente do Banco Privado Atlântico, onde o Millennium detém uma participação indireta minoritária), é um dos nomes envolvidos na operação Fizz, enquanto António Mexia, da EDP, é arguido nas investigações a contratos da elétrica assinados durante o governo de José Sócrates.

O BCP tem atividade em Portugal, Polónia, Angola e Moçambique.

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