Carlos Costa "conseguiu passar a mensagem que queria"

Economista João Duque acredita que Carlos Costa se defendeu bem, passando a imagem de que está confiante e de quem tem provas de que não está relacionado com os empréstimos problemáticos da CGD.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, garantiu esta terça-feira que não participou "nos 25 créditos que geraram perdas para a Caixa." Na análise às palavras de Carlos Costa, o economista João Duque considera, em declarações à TSF, que o governador conseguiu fazer passar a mensagem de que não teve "responsabilidades nos empréstimos problemáticos da Caixa Geral de Depósitos."

"De uma maneira geral, acho que conseguiu passar a mensagem que queria", adianta o economista. "Aparentemente, não tem razões para se sentir minimamente relacionado."

João Duque considera que Carlos Costa adotou sempre uma postura defensiva, exceto num momento em que atacou o ministério das Finanças. O governador lembrou que a auditoria agora conhecida é da responsabilidade deste ministério, e que é portanto a ele que deve ser atribuída a demora, tanto na decisão de a fazer, como no processo de a tornar pública.

"Ele distingue claramente a auditoria - que é agora a auditoria que veio a público - e que é uma auditoria à gestão. Ele diz: essa auditoria não me compete a mim, essa auditoria compete ao acionista, quanto muito à administração. Não me compete a mim", explica o economista, detalhando a posição de Carlos Costa. "Ao remeter para o acionista, está a remeter diretamente para o ministro das Finanças. Portanto, está a remeter para ele a demora no apelo ou na chamada auditoria e até na análise, ou na extração de consequências, ou no que for resultante dessa auditoria."

Nesta entrevista, Carlos Costa avisou quem queira exonerá-lo que tem mecanismos que pode ativar para o fazer. João Duque entende que estas foram palavras de desafio lançadas por alguém que está confiante de que esse é um processo longo e de que o vai vencer.

"É um desafio, a dizer: estou aqui, estou bem, durmo bem à noite, não me sinto nada responsável por tudo isso. Estão aqui a acusar-me e, portanto, se querem, façam-no e estejam à vontade. Eu vou, com facilidade, acabar o meu mandato sem que nada aconteça", explicou o economista, demonstrando uma vez mais o estado de espírito do governador do Banco de Portugal. "A forma como ele, aparentemente, se mostrou na entrevista, a mim convenceu-me de que está minimamente documentado para fazer a prova daquilo que disse."

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