Economia

Carlos Costa vetou escolha para economista-chefe do Banco de Portugal

O processo foi mal gerido, foi travado pelo próprio governador, e as fontes contactadas pela TSF temem prejuízos para a credibilidade do Banco de Portugal.

As recentes críticas do PS, às previsões do Boletim Económico de Inverno, são vistas internamente como um primeiro sinal.

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A história começa com a abertura de um concurso para o cargo de director do departamento de estudos económicos - uma vaga aberta desde o Verão. O processo de seleção foi entregue a um júri independente, e acabou por dar um resultado que Carlos Costa considerou inaceitável.

O candidato melhor colocado era o atual director-adjunto do departamento, Mário Centeno, alguém a quem o governador não queria, de todo, entregar o papel de «economista-chefe» do Banco de Portugal (BdP).

O concurso foi encerrado no final do mês passado, com o Banco de Portugal a explicar, em comunicado, que «as candidaturas não reuniam todos os requisitos».

No mesmo comunicado, o antigo ministro das finanças, Vítor Gaspar, foi apresentado como presidente da comissão que vai redesenhar a estratégia e a missão do departamento de estudos económicos. Fontes contactadas pela TSF falam numa sucessão de decisões desastradas, que podem arrastar o Banco de Portugal para o campo da batalha político-partidária.

A decisão de Carlos Costa tem razões políticas, mas ao que a TSF conseguiu saber junto de fonte ligada ao processo, não houve interferência partidária directa no veto a Mário Centeno - nº2 do departamento de estudos económicos desde 2004, desde os tempos de Vítor Constâncio.

As razões do Governador prendem-se com esse passado, mas sobretudo com intervenções públicas recentes do economista, artigos e entrevistas em jornais, textos e palavras críticas em relação a diversas opções do Governo.

Um comportamento que é visto como uma violação do dever de reserva a que está obrigado um diretor-adjunto do Banco de Portugal.