Cativações transformam discussão do Orçamento numa "palhaçada"

Presidente do Fórum para a Competitividade designa de "palhaçada" a discussão do Orçamento do Estado, que pode resultar em verbas diferentes das apresentadas por causa das cativações

Pedro Ferraz da Costa entende que o uso de cativações torna a discussão do Orçamento do Estado uma "palhaçada".

No programa A Vida do Dinheiro, o presidente do Fórum para a Competitividade afirma, sobre as verbas que o ministério das Finanças aos diferentes ministérios mas sujeitando a sua utilização a uma autorização expressa da equipa de Mário Centeno, que "em termos globais toda a gente acha ótimo que eles façam isso", porque "a maior parte das pessoas também não se importa de ser enganada, portanto é isso que o ministro das Finanças anda a fazer".

Entrevistado na TSF e Dinheiro Vivo, Ferraz da Costa continua as críticas dizendo que "há 230 deputados que se sentam a discutir o Orçamento com um ar sério e sabem que aquilo que está ali inscrito não é necessariamente o que vai acontecer" e conclui: "se eles próprios se sentem contentes com esta palhaçada, quem somos nós para dizer que não?"

"Não devíamos dar tanta ênfase política às coitadinhas das PME"

O presidente do Fórum para a Competitividade entende que a maior parte das Pequenas e Médias Empresas (PME) "não são mais do que emprego familiar organizado de forma comercial, mas não são empresas" e conclui que "não devíamos dar tanta ênfase política às coitadinhas das PME".

Em entrevista, sublinha que "ouvimos dizer que os empresários investem pouco e têm poucas qualificações", mas sublinha que no universo das PME "essa gente toda tem muito poucas qualificações e devia-se fazer qualquer coisa para melhorar porque era bom para todos".

Ferraz da Costa entende por isso que para o país crescer, precisa das empresas maiores e que exportem e garante que "se temos centenas de empresas que conseguem fazer isso de uma forma sustentada e que tem ganho quota de mercado no exterior e que têm melhorado o seu desempenho e rentabilidade não há razão para que não tentemos ampliar isso a todos os outros".

Startups? "É muito giro mas não tem assim tantos efeitos"

Pedro Ferraz da Costa considera que há "muito poucas experiências de sucesso na passagem de startup para empresas de maior dimensão." mas admite que esse movimento "começa agora, com a Farfetch e outras que têm surgido".

O presidente do Fórum para a Competitividade (Fpc) avisa no entanto, que o glamour à volta destas companhias pode não durar para sempre: "não sei se as continuarão a achar tão simpáticas quando se souber que valem biliões de dólares e começam a empregar centenas ou milhares de pessoas", avisa.

Os comentários de Ferraz da Costa em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo surgem em resposta à pergunta que o desafiou a partilhar a sua visão sobre o ecossistema das startup, ao qual respondeu com um comentário acompanhado de um riso: "é muito giro", exclamou, lamentando que "não tem assim tantos efeitos".

O antigo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa - hoje Confederação Empresarial de Portugal - sublinha no entanto que a Web Summit "em termos turísticos é um evento fantástico". "Vai obrigar a que a Feira Internacional de Lisboa dê um salto de dimensão", enfatiza.

Ferraz da Costa afirma ainda que "em Portugal, quando há um compromisso com um estrangeiro, toda a gente respeita, desde o presidente da Câmara até aos organismos que tenham de dar pareceres, anda tudo depressa. Nesse sentido, é bom".

Quanto ao retorno para o país, o presidente do FpC deseja que que "em termos de consequências para a economia, Deus queira que sim".

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