OE2019

CDS-PP diz que previsões da Comissão Europeia confirmam "logro" do Governo

Centristas entendem que as previsões de Bruxelas dão razão aos partidos que se opõem ao Governo socialista e que deixam claro que a esquerda não tem razões para assinalar "vitórias" negociais.

O CDS-PP considera que as previsões de outono da Comissão Europeia, que apontam para um abrandamento do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português, vão confirmar que a execução orçamental de 2019 será muito diferente do previsto.

Esta quinta-feira, Bruxelas revelou previsões que dão conta de que o crescimento do PIB em Portugal deverá abrandar para 1,8% em 2019 e 1,7% em 2020, quando as previsões do Governo liderado por António Costa são de 2,2% e 2,3%.

Quanto ao défice orçamental, a Comissão Europeia acredita que só em 2020 o défice atingirá os 0,2% que o Governo quer apresentar já no ano que vem. Bruxelas entende que, em 2019, o défice andará nos 0,6%, ou seja, acima daquilo que é a previsão do ministro das Finanças.

No parlamento, João Almeida, deputado e porta-voz do CDS-PP, defendeu que se trata de uma "oportunidade perdida" por parte do Governo - ao não aproveitar a conjuntura externa - e que os números vão provar não haver motivos para os partidos da esquerda reclamarem vitória pelas negociações no âmbito do Orçamento do Estado.

"Confirma-se o logro. Porque o Governo vai ser obrigado a não contrair despesa, a não fazer despesa que está inscrita no Orçamento do Estado, portanto, as vitórias que alguns dos partidos vão reclamar por terem conseguido algumas medidas vão ficar pelo caminho com a execução orçamental", afirmou.

Perante os jornalistas, o deputado centrista sublinhou que o que a Comissão Europeia está a assinalar é que Portugal "vai crescer ainda menos do que o previsto no OE2019, que já era menos do que crescemos este ano e que o défice vai ser o triplo".

O CDS-PP critica ainda a "credibilidade" da proposta de Orçamento do Estado, sublinhando que, depois das dúvidas da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), também a Comissão Europeia manifesta algumas dúvidas sobre os números apresentados pelo Governo português.

"Não é coincidência até porque os valores apontados são muito parecidos. A UTAO aponta para um défice de 0,5%, a Comissão Europeia aponta para 0,6%, quando o Governo continua a garantir que é 0,2%. Não estamos a falar de uma diferença pequena", disse.

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