Tua

Construção da barragem do Tua arranca hoje com a presença de Sócrates

A construção da barragem do Tua, que custará 300 milhões de euros e a submersão de 16 quilómetros de linha ferroviária, arranca esta sexta-feira com a presença do primeiro-ministro.

É o princípio do fim de uma polémica que dura há cinco anos. O primeiro-ministro, José Sócrates, lança hoje a primeira pedra da barragem do Tua, numa visita de dois dias à região de Trás-os-Montes.

A decisão é tornada pública em 2006. O Governo anuncia a intenção de construir uma barragem na foz do rio Tua. Um ano depois, a contestação ao projecto ganha corpo, e nasce o Movimento Cívico pela Linha do Tua.

Na mesma altura, Bloco de Esquerda e Os Verdes assumem também esta luta como sua. O partido ecologista apela à UNESCO, argumentando que a construção da barragem colide com a área de protecção.

O projecto estende-se por cinco autarquias mas só um autarca se opõe. O presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, é o único a assumi-lo e fica isolado na luta.

Ainda em 2007, chega ao Parlamento uma petição com mais de cinco mil assinaturas. É a primeira acção de grande impacto do Movimento Cívico pela Linha do Tua, que alega que o caminho-de-ferro do Nordeste Transmontano é mais valioso do que uma nova barragem.

Mas a iniciativa acaba por revelar-se uma batalha perdida. A petição é discutida um ano depois, mas sem qualquer consequência.

Os defensores da Linha do Tua não cruzam os braços e para tentar travar a construção da barragem, em 2010, conseguem abrir um processo de classificação desta ferrovia como Monumento de Interesse Nacional.

Voltam a fracassar. O IGESPAR decide arquivar o processo, alegando que a linha não representa qualquer valor artístico digno de referência de uma obra do século XIX.

No Verão do ano passado, a construção da barragem é aprovada em definitivo. Ao mesmo tempo, surge um novo movimento de cidadãos numa aldeia de Carrazeda de Ansiães, que consegue juntar 4500 assinaturas, que foram entregues na Assembleia da República, mas o Governo não cede e suspende qualquer intervenção na área destinada à barragem para não comprometer o futuro do projecto.

A EDP propõe aos autarcas uma alternativa à linha do Tua: um plano de mobilidade que envolve vários meios de transporte. Os autarcas aceitam e são envolvidos na exploração deste sistema.

Contudo, e feitas as contas, o autarca de Mirandela, José Silvano, continua a considerar que o melhor para a região era manter a linha do Tua.