Transportes Públicos

O passe único está a chegar à Grande Lisboa. E os transportadores estão preocupados

O Governo e os presidentes dos municípios da Área Metropolitana de Lisboa assinam os contratos para a entrada em vigor, em abril, de um passe único em 18 concelhos, que custará no máximo 40 euros.

Na cerimónia, que conta com o apadrinhamento do primeiro-ministro, António Costa, está prevista a participação, pelo Governo, do ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes, e do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, revelou a AML.

PUB

Pela área metropolitana, assinarão os documentos o presidente da Área Metropolitana de Lisboa (AML), Fernando Medina, o primeiro-secretário metropolitano, Carlos Humberto, e os presidentes de 18 municípios.

O passe único terminará com as centenas de títulos combinados que existem atualmente para a utilização dos transportes coletivos e vai ter apenas duas configurações: o Navegante Municipal custará 30 euros, permitindo viagens dentro de cada concelho, e o Navegante Metropolitano custará 40 euros, permitindo deslocações nos meios de transporte públicos em toda a área metropolitana.

Com o novo passe, as crianças podem viajar gratuitamente em toda a AML até ao último dia dos seus 12 anos, o que atualmente só acontecia no concelho de Lisboa. Serão mantidos os descontos para estudantes, reformados e carenciados.

O novo passe, que poderá ser carregado a partir de 26 de março, é mensal (válido por um mês, a partir do seu primeiro dia).

A AML anunciou também o lançamento de um passe familiar, que agregará os passes dos membros da mesma família, independentemente do seu número, e que custará, no máximo, 80 euros para viajar na AML e 60 euros para viajar dentro de cada concelho. No entanto, devido "à complexidade técnica" deste passe familiar, o seu lançamento deverá ser adiado.

Os carregamentos do novo passe continuarão a ser feitos nos moldes atuais, nos balcões e máquinas dos operadores e em caixas multibanco.

As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e as 21 Comunidades Intermunicipais (CIM) vão receber um total de 104 milhões de euros do Fundo Ambiental, através do Orçamento do Estado, para incentivarem o uso dos transportes coletivos, e comparticiparão o programa com um total de 2,6 milhões.

A AML, com mais de 464 mil utilizadores dos transportes públicos, é a que vai receber a verba maior, no valor de 74,8 milhões de euros, comparticipando o programa com 1,8 milhões.

A fórmula de cálculo dos valores a receber ou a comparticipar por cada Área Metropolitana ou CIM teve em conta o número de utilizadores dos transportes públicos, o tempo médio utilizado nas deslocações e "um fator de complexidade dos sistemas de transporte das áreas metropolitanas".

Pelo menos 60% do total que cada uma destas entidades vai receber terão de ser aplicados em "ações de apoio à redução tarifária nos transportes públicos coletivos" e o restante utilizado "no aumento da oferta de serviço e na extensão da rede".

A AML é integrada pelos municípios de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

Transportadores deixam aviso

Luís Cabaço Martins, presidente da Antrop (Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros), destaca que, com este novo sistema, o Governo tem de passar a pagar as indemnizações a tempo e horas, sob pena de as empresas ficarem em graves dificuldades.

"Para tantos descontos muito significativos, o que se vai verificar é uma redução também muito significativa das receitas dos operadores de transportes", constata Cabaço Martins, em declarações à TSF.

"É importante que haja cumprimento dos prazos de compensação. Estamos preocupados porque, se se verificar aquilo que habitualmente se costuma verificar - que é um atraso no cumprimento destas obrigações -, as empresas correm o risco de ficar completamente descapitalizadas e não conseguir cumprir os seus objetivos básicos e obrigações primárias, designadamente o pagamento dos salários aos trabalhadores", alerta.

O presidente da Antrop avisa ainda que os operadores estão reticentes quanto à gestão dos meios disponíveis, com potencial maior procura dos transportes públicos, após a entrada em vigor do passe único, uma vez que os autocarros já se encontram frequentemente lotados.

"Em muitas alturas dos dias, nós já temos os meios completamente ocupados, portanto, sentimos alguma preocupação", admitiu.

Notícia atualizada às 10h34

  COMENTÁRIOS