87% dos emigrantes lusos desvaloriza corte no IRS como fator para regressar

Quase 80% dos emigrantes portugueses quer regressar, mas corte no IRS tem pouco ou nenhum impacto na decisão de 90% das pessoas. Reino Unido entre os destinos favoritos para emigrar apesar do Brexit.

87% dos emigrantes portugueses atribui pouca ou nenhuma importância ao corte de 50% no IRS durante cinco anos para quem regresse entre 2019 e 2020

Um inquérito a mais de 3 mil pessoas feito pela consultora de recuirsos humanos Hays mostra que os emigrantes preferem sublinhar outros fatores que consideram mais importantes, como salários melhores, motivos familiares, vontade de viver em Portugal e projetos interessantes.

Apenas 6% dos profissionais consideram o corte no IRS importante, e 7% dizem mesmo desconhecer o tema.

O pacote Regressar, lançado pelo governo no Orçamento do Estado para 2019 inclui um desconto de 50% no IRS durante cinco anos para quem regresse entre 2019 e 2020.

Mas a vontade de regressar existe: 78% dos profissionais portugueses que estão a trabalhar no estrangeiro querem voltar a Portugal, sendo que 43% pretende fazê-lo nos próximos 2 anos, mas o pacote lançado pelo governo para promover o regresso de profissionais a trabalhar no estrangeiro não tem influência na decisão.

Esta é uma das principais conclusões do Guia do Mercado Laboral 2019, um estudo anual sobre tendências de mercado e salários elaborado pela consultora Hays, especializada em recursos humanos. O inquérito foi feito a 3.136 profissionais qualificados e 603 empregadores.

A vontade de sair de Portugal também parece estar a perder fulgor: 37% dos profissionais têm interesse em trabalhar no estrangeiro, valor que chegou a 80% em 2013. A estabilização da economia portuguesa, com efeitos no mercado laboral, parece estar a contribuir para este resultado.

Entre quem saiu, perto de 90% considera que no estrangeiro lhe foram reconhecidos conhecimentos e capacidades que não eram valorizados em Portugal.Quase 49% dos motivos de saída prendem-se com ofertas melhores noutro país ou a falta de oportunidades de emprego adequadas ao perfil em Portugal.

As áreas de Banca e Seguros, Legal e Construção e Imobiliário destacam-se como sendo os setores com mais profissionais dispostos a trabalhar no estrangeiro.

Quanto aos destinos escolhidos, Espanha lidera a preferência e apesar da eminência do Brexit, o Reino Unido é a segunda preferência dos profissionais e a terceira a Suíça.

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