Costa, afinal, ainda admite nacionalizar Novo Banco

O primeiro-ministro recusou hoje antecipar cenários sobre o Novo Banco e defendeu que o Governo evitou que este banco ficasse agora "entre a espada e a parede", tendo ganho mais um ano para decidir.

Estas posições foram assumidas por António Costa no final de uma reunião com o Grupo Parlamentar do PS, depois de interrogado sobre a situação do Novo Banco.

"Este é o tempo que o Banco de Portugal tem para avaliar as propostas que recebeu e tomar as decisões que julgar melhores. Não conhecemos as propostas, mas, quem sabe, até pode haver uma excelente proposta que resolva já, até de uma forma saudável para todos, os problemas relativamente ao Novo Banco", disse.

Confrontado com declarações proferidas pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, de que o Novo Banco poderia ser alvo de um processo de liquidação caso não seja vendido até agosto de 2017, o líder do executivo invocou a legislação aplicável a este caso e considerou que Mário Centeno afirmou apenas "aquilo que resulta da lei".

Mas António Costa procurou sobretudo não antecipar cenários relativamente ao Novo Banco, frisando que "agosto de 2017 não é hoje".

"Estamos em julho de 2016, ponto", disse.

Questionado se a atuação do Governo, sobretudo na sequência das declarações de Mário Centeno, não está a colocar o Novo Banco entre a espada e a parede, o primeiro-ministro recusou essa perspetiva, contrapondo que quem fez isso "foi quem o quis vender à pressa antes das eleições e desvalorizou-o, fracassando na venda - e quem não tratou sequer de aumentar o prazo disponível para vender o banco".

"Quem tratou de obter um ano suplementar para que houvesse uma solução para o Novo Banco foi o atual Governo, tendo em vista, precisamente, evitar que ficasse entre a espada e a parede, havendo mais tempo para se encontrarem soluções. Até agora, este Governo não teve qualquer intervenção relativamente ao Novo Banco", sustentou.

Em relação ao Novo Banco, o líder socialista reiterou a tese do Governo de que nenhuma alternativa é excluída.

"Temos mais um ano, até agosto de 2017, para se apreciar as diferentes soluções alternativas. É prematuro dizer que chegaremos a agosto de 2017 sem qualquer solução. Se assim for, a solução está prevista na lei e não tem nada de novo", frisou.

Tudo tranquilo com a Caixa, diz Costa

Ou seja, insistiu António Costa, "não há nenhuma razão para em julho de 2016 estar-se a antecipar um cenário do que pode acontecer em agosto de 2017, quando ainda há um ano pela frente e há muito trabalho que pode e deve ser feito para encontrar boas soluções para um ativo que é muito importante".

"O Novo Banco é banco que tem valor, tem clientes, uma rede, funcionários e negócios, e que não deve ser assim desvalorizado", acrescentou.

Interrogado sobre a situação da CGD, que ainda aguarda a aprovação de um plano de recapitalização e da nova administração, o primeiro-ministro frisou que não compete ao Governo exercer qualquer forma de pressão para acelerar estes processos.

"Mas não tenho nenhuma razão para achar que, quer a Direção-Geral da Concorrência, quer as entidades regulatórias, não estejam a esforçar-se para tão rapidamente possível responderem às questões que faltam responder para termos uma solução definitiva para a CGD, e para que fique tudo claro e tranquilo quanto à Caixa, o que é essencial", respondeu António Costa.

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