Economia

CP em risco de rutura? Supressões de comboios, falta de material e de trabalhadores

A empresa depara-se com falta de comboios, o que tem provocado várias falhas nas ligações. Só na Linha do Oeste, foram suprimidos mais de 350 comboios, nos primeiros quatro meses deste ano.

O jornal Público revela , esta quarta-feira, que a CP - Comboios de Portugal está "à beira do colapso". No próximo mês existirão novos horários e, garante o jornal, a oferta será menor.

De acordo com o jornal, a frota da CP está envelhecida, existindo cada vez mais avarias e falta de pessoal para fazer reparações (30% dos comboios intercidades estão parados nas oficinas) - o que se traduz na diminuição dos comboios em circulação.

A administração da empresa tem tentado colmatar as falhas com a substituição por composições de categoria inferior (como é o caso da ligação de intercidades para Évora, que tem sido feita por uma automotora, normalmente utilizada para o serviço regional) ou pela contratação de autocarros.

O aumento da procura durante o verão e os novos horários previstos a partir de agosto vão dificultar a situação, que está já a afetar também a Linha de Sintra.

Para fazer frente aos problemas, a CP tem alugado 20 automotoras a diesel à transportadora espanhola Renfe, pelas quais paga 5 milhões de euros por ano.

O aluguer devia durar só até à eletrificação das linhas, mas, passados oito anos, o projeto ainda não avançou.

Já em fevereiro de 2017, a anterior administração da CP tinha entregado ao Governo um estudo em que defendia que a compra de 35 automotoras era imprescindível e avisava que, se o equipamento não fosse renovado, a sustentabilidade e o futuro da empresa estariam ameaçados.

As queixas dos trabalhadores

O cenário é confirmado pela comissão de trabalhadores da CP. Em declarações à TSF, o coordenador da comissão de trabalhadores, José Reizinho, afirmou que os problemas se têm agravado nos últimos tempos.

"Há enormes supressões em diversas linhas: no Oeste, no Algarve, no Alentejo, no Douro, no Minho,...", relatou o funcionário da CP.

"Há mais de 15 anos" que a CP não compra novos comboios, revela José Reizinho, sublinhado que "o material está envelhecido, precisa de grandes reparações e não há gente suficiente para dar resposta à manutenção".

Para além de ser escassa, a mão-de-obra também está envelhecida. José Reizinho nota que a média de idade dos trabalhadores é de 56 anos.

Os trabalhadores atribuem as culpas pela situação na CP às cativações feitas pelo Executivo. "Não podemos lançar concursos para compra de material porque o Governo tem o dinheiro cativado", denunciam.

Governo garante que investimento na ferrovia é "prioridade"

Questionado pela TSF, o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas remete responsabilidades para a "falta de investimento das últimas décadas" e garante que a ferrovia "é uma prioridade" deste Governo.

"O Governo e a CP estão a trabalhar no lançamento de um concurso internacional para aquisição de material circulante, tal como está previsto no Orçamento do Estado", assegurou o Executivo.

O ministério lembra ainda que lançou o Plano Ferrovia 2020, "que contempla um investimento de 2 mil milhões de euros na rede ferroviária" e que "travou o plano de privatização da empresa EMEF", lançando, por sua vez, um programa de reestruturação para a mesma.

O Governo indica ainda que, "entre dezembro de 2015 e agosto de 2017, foi autorizado o recrutamento de mais 124 trabalhadores". "Já este ano foi autorizada a entrada de mais 50", acrescenta.

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