"Desta vez foi-se longe demais na Autoeuropa"

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa acredita que as dificuldades foram ultrapassadas, mas afetaram a imagem do maior produtor nacional de automóveis.

É dos maiores exportadores nacionais e representa quase 1 por cento do PIB. Razões de sobra para que o funcionamento da Autoeuropa suscite preocupação. Bruno Bobone sublinha que esta crise "veio mostrar que os trabalhadores também tinham alguma razão, por isso houve algumas cedências".

Depois de um duro processo negocial, trabalhadores e administração da fábrica alemã da Volkswagen chegaram a acordo e aprovaram uma subida de salário de 3,2 por cento. Essa revisão não contempla ainda o aumento do horário de trabalho aos fins de semana previsto para agosto. Mas o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa acredita que as dificuldades fazem parte do passado: "penso que finalmente houve uma compreensão de que não se pode esticar a corda até partir, e portanto a partir daí acho que tudo vai começar a entrar nos eixos".

Ainda assim, o dirigente admite que "desta vez foi-se longe demais, houve uma situação realmente negativa em termos de imagem", reconhecendo que "não se podem extremar as crises, tem que se fazer essas negociações de uma maneira mais suave, mais rápida para que não se cria a perspetiva de que há alguma coisa muito errada no país".

Bruno Bonone participa na reunião anual das câmaras de comércio portuguesas que, este ano, se realiza em Berlim, poucos dias depois da formação de um governo na Alemanha. Depois de um impasse político que durou cerca de meio ano, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa na Alemanha acredita que está "ultrapassada a instabilidade política".

Rogério Pires defende que "as relações comerciais entre os dois países podem crescer e têm espaço para crescer". Nesta reunião, que decorre quarta e quinta-feira, participam cerca de duas dezenas de câmaras de comércio portuguesas espalhadas pelo mundo (num universo de 43).

O objetivo deste "momento importante", revela Bruno Bobone, é "coordenar a estratégia e saber mais detalhes sobre o que é necessário fazer no futuro". As exportações portuguesas para a Alemanha cresceram 7 por cento no ano passado, mas as importações também aumentaram, 14,9 por cento.

Para o presidente da Câmara de Comércio e Indústria portuguesa "houve uma mudança radical das empresas nacionais, passaram a liderar o seu próprio caminho e procurar os seus mercados (...) Foi graças à crise, porque foi a crise que levou as empresas a dependerem menos do mercado e do estado português. Essa é uma decisão que não volta atrás." A Alemanha, reconhece, "é um mercado fortíssimo onde as empresas portuguesas terão sempre muita vontade de estar".

Continuar a ler