Economia

"Estão a matar a galinha dos ovos de ouro." Mercado negro da sardinha está a crescer

A pesca da sardinha está interdita desde o final de setembro, mas a proibição não trava o mercado ilegal, que está em crescimento (para desespero dos ambientalistas).

A Unidade de Controlo Costeiro da Guarda Nacional Republicana (GNR) está a apertar a fiscalização. De acordo com o Jornal de Notícias, nos últimos três meses foram apreendidas mais de oito toneladas de sardinha ilegal, na lota de Matosinhos. No mercado negro, esta quantidade de peixe tem um valor aproximado de 50 mil euros.

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Os pescadores acusam as embarcações espanholas de virem pescar de forma ilegal em águas nacionais. Há também quem afirme que as capturas são feitas por pescadores portugueses que, de vez em quando, "fintam as autoridades".

A Unidade de Controlo da GNR identificou cinco pessoas e duas empresas. A GNR reconhece, no entanto, a dificuldade de chegar aos responsáveis por este negócio ilegal da pesca.

A proibição de pescar a espécie está em vigor desde 28 de setembro de 2018 e é justificada com a diminuição de stocks. Em 1993, havia 966 mil toneladas de sardinha nas águas nacionais. Em 2017, o número baixou para as 175 mil toneladas - uma diminuição de 82%.

Para compensar a proibição da pesca e a consequente perda de rendimento, cada pescador recebe um apoio de 1.920 euros. Ainda assim, há quem opte por furar o bloqueio. Em declarações ao Jornal de Notícias, Rita Sá, bióloga marinha da Associação Natureza Portugal, avisa que estes pescadores mais não estão a fazer que "a matar a galinha dos ovos de ouro".

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