Exportações caem 8,7% com greve dos estivadores de Setúbal

As exportações portuguesas de bens caíram 8,7% em novembro, em termos homólogos, de acordo com o INE, que justifica a quebra com a redução das exportações no setor automóvel devido à greve dos estivadores no Porto de Setúbal.


Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações diminuíram 8,7% (face à subida de 5,3% em outubro de 2018), "devido à diminuição verificada no comércio Intra-UE e no comércio Extra-UE, sendo de destacar o decréscimo das exportações de material de transporte, maioritariamente de automóveis para transporte de passageiros, em 29,4% (contributo de -5,7 pontos percentuais para a taxa de variação homóloga do total das exportações de bens), que estará associado à greve dos estivadores no porto de Setúbal".


De acordo com as estatísticas do Comércio Internacional do INE, novembro foi assim até agora o pior mês das exportações em 2018 e o segundo negativo (depois de em março se ter observado uma redução de 5,4%).

Já as importações aumentaram 11,5% (5,4% em outubro), com as importações de material de transporte a registarem um acréscimo de 21,3% (com um contributo de 3,4 pontos percentuais para a taxa de variação homóloga do total das importações), em resultado fundamentalmente da aquisição de outro material de transporte (aviões), sinaliza o INE.

Em 14 de dezembro foi assinado um acordo entre o Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) e os operadores portuários, sob mediação do Governo, para o regresso ao trabalho dos estivadores do Porto de Setúbal e que pôs fim a mais de um mês de paralisações naquele porto (em greve desde 05 de novembro)

O acordo incluiu a passagem imediata a efetivos de 56 trabalhadores precários (mais 10 a 37 numa segunda fase) e o levantamento de todas as formas de luta, incluindo a greve ao trabalho extraordinário.

Nesse dia 14 foi indicado que a Autoeuropa e a empresa Operestiva estavam a preparar um plano para a exportação de 22.000 viaturas acumuladas durante a paralisação dos estivadores do Porto de Setúbal.

Tendo em conta os principais países de destino em 2017, em novembro de 2018, todos os países, com exceção de Itália (com uma subida de 1,5%), registaram decréscimos face ao mês homólogo de 2017, evidenciando-se a Alemanha (-21,6%) e a França (-12,2%), em ambos os casos "devido sobretudo aos Veículos e outro material de transporte", referem os dados do INE.

Em relação aos principais fornecedores em 2017, acrescenta, em novembro de 2018 os aumentos mais expressivos em termos homólogos registaram-se nas importações provenientes também de França e Alemanha (com aumentos de 37,2% e 10,2%, respetivamente), sobretudo em Veículos e outro material de transporte.

Já as importações da Rússia registaram o único decréscimo (-36,2%), justificado pela redução das importações de combustíveis minerais.

Também de acordo com os dados hoje divulgados pelo INE, excluindo os combustíveis e lubrificantes, as exportações diminuíram 8,2% e as importações cresceram 11,7% (face a uma subida de 8,0% em ambos os fluxos, em outubro de 2018).

O défice da balança comercial de bens totalizou 2,066 mil milhões de euros em novembro de 2018, mais 1,157 mil milhões de euros do que que no mês homólogo de 2017.

Excluindo os combustíveis e lubrificantes, a balança comercial atingiu um saldo negativo de 1,521 mil milhões de euros, correspondente a um aumento do défice de 1,036 mil milhões de euros em relação a novembro de 2017.

No trimestre terminado em novembro de 2018, as exportações de bens diminuíram 1,0% e as importações de bens aumentaram 5,8% face ao mesmo período de 2017, acrescenta o INE.

(Notícia atualizada às 15h00)

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