crescimento económico

FMI não vê sobreaquecimento no mercado imobiliário em Portugal

Previsão de crescimento para 2018 é cortada em uma décima. Mercados instáveis e protecionismo são riscos para o país, tal como o excesso de confiança.

"O preço das casas continua a aumentar, mas não há ainda uma sobreavaliação significativa", escreve o FMI no relatório sobre Portugal publicado esta quinta-feira.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) sublinha que os aumentos têm sido impulsionados em larga medida por aquisições de não-residentes, concordando com a avaliação feita pelo Banco Central Europeu que, em maio, sugeriu haver "sinais incipientes de sobreavaliação no mercado residencial".

Também a Comissão Europeia, no início deste mês, já tinha rejeitado a existência de desequilíbrios nos preços das casas.

Riscos externos e excesso de confiança

O relatório, publicado no âmbito das visitas anuais que o FMI faz a todos os estados membros, avisa que a instabilidade dos mercados e as crescentes restrições financeiras à escala global podem tornar mais caros os pedidos de empréstimo do Tesouro e afetar empresas, famílias e bancos. O FMI alerta ainda que "uma redução significativa do crescimento na zona Euro ou uma viragem para o protecionismo à escala global poderiam ter um impacto em Portugal".

"Apesar de no curto prazo, as perspetivas de crescimento continuarem positivas, aumentaram os riscos externos de uma desaceleração do crescimento em parceiros comerciais e de repercussões dos mercados financeiros", pode ler-se no relatório.

O esforço deve continuar

O FMI teme ainda que as autoridades portuguesas possam tornar-se demasiado otimistas. "À medida que a expansão continua, há o risco de que legisladores e outras partes interessadas possam ter excesso de confiança, levando a derrapagens nas políticas e à erosão de reformas passadas", avisa o FMI.

Os diretores executivos do FMI reiteram, por isso, que o governo precisa de implementar reformas que permitam ao país resistir a choques e reduzir vulnerabilidades. E o momento, dizem, não podia ser melhor: "As condições económicas favoráveis são uma oportunidade para antecipar a consolidação orçamental que está planeada".

O esforço, na opinião do FMI, deve centrar-se no corte da despesa corrente (nomeadamente através de alterações na administração pública e ao sistema de pensões), no controlo orçamental (com especial incidência no setor da saúde) e em políticas que favoreçam o investimento e o trabalho qualificado.

Em causa está também a "remoção de barreiras regulatórias desnecessárias, a redução de preços da energia e uma melhor ligação dos salários à produtividade".

Apesar dos avisos e recomendações, o FMI elogia o compromisso do governo na redução da dívida pública e a "forte melhoria" na consolidação orçamental, que "pode ser atribuída ao crescimento económico vigoroso, ao controlo da execução orçamental e à redução dos custos com juros" da dívida.

Em relação à banca, o FMI reitera que há hoje mais capital e lucros, melhorias na estabilidade, confiança e resistência a choques. No entanto, também avisa que há um caminho a ser feito na redução do crédito malparado.

Menos uma décima de crescimento este ano

Tal como o Governo e a Comissão Europeia, o FMI prevê agora para Portugal um crescimento de 2,3% este ano. A entidade liderada por Christine Lagarde tinha melhorado a previsão em abril, de 2,2% para 2,4%, mas agora recua uma décima. O FMI entende que o crescimento da economia tem sido "puxado pelo investimento e pelas exportações".

Em relação a 2019, a previsão mantém-se em 1,8%, mais pessimista do que a Comissão Europeia (2%) e do que o Governo (2,3%).

O FMI mantém ainda a previsão para o desemprego (7,3% em 2018 e 6,7% em 2019) e para o défice das contas públicas (-0,7% do PIB em 2018 e -0,3% em 2019), avisando, no entanto, que "parte das melhorias estruturais vão ser revertidas" este ano.

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