Economia

Grupo de cidadãos contesta escolha da Ernst&Young para auditoria a PPP

A Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública acusou hoje a empresa Ernst&Young de falta de idoneidade e independência por sofrer de um conflito de interesses em relação à auditoria das PPP.

A escolha da consultora Ernst&Young para fazer a auditoria das Parcerias Público Privadas (PPP) está a ser contestada por um grupo de cidadãos.

A Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública considera que há um conflito de interesses. José Castro Caldas, diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e um dos elementos deste grupo, sustentou na TSF o seu ponto de vista.

«A Ernst&Young como aliás as outras auditoras estiveram certamente envolvidas, enquanto consultoras, nos processos que levaram às PPP, sobretudo do lado das empresas que participam como acionistas. Por outro lado sabemos que a Ernst&Young presta serviço a empresas que estão envolvidas em PPP», destacou.

José Castro Caldas acrescenta alguns pontos que gostaria de ver esclarecidos pelo ministério das Finanças.

«Os critérios que o Governo teve em conta para selecionar esta empresa, saber se a Ernst&Young está em condições de realizar uma auditoria independente às PPP, saber porque é que os serviços do Tribunal de Contas não foram requeridos para esta auditoria. Enfim, há uma série de dúvidas que põem em questão a salvaguarda do interesse público», referiu.

Contactado pela TSF, o ministério das Finanças diz que não pretende fazer comentários, confirmando apenas que escolheu a Ernst&Young para auditar as PPP.

A TSF contactou também a Ernst&Young que fez saber que não comenta concursos nos quais esteve envolvida e que, ao candidatar-se, preenche todos os requisitos necessários.

O gabinete de comunicação Ernst&Young acrescenta que, seguindo a tradição da empresa, não comenta questões relacionadas com os clientes, e que também não o fará neste caso.

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