A Opinião

"Há a ideia de que Trump é um erro de casting, mas ele tem de ser levado a sério"

No espaço da TSF "A Opinião", Carlos Carvalhas considera que, embora o presidente dos EUA seja impulsivo e imprevisível, os interesses que representa estão bem definidos e não podem ser ignorados.

Carlos Carvalhas defende que, apesar da figura inusitada de Donald Trump, os objetivos do presidente norte-americano têm de ser levados a sério. No espaço de comentário que ocupa semanalmente na TSF, "A Opinião", o antigo secretário-geral do PCP afirmou que os interesses defendidos por Trump já estão a traduzir-se na realidade europeia.

"Há a ideia feita de que Trump é um erro de casting, que tudo isto é inédito e imprevisível. É verdade que reage por impulso, mas representa certos interesses", alegou o economista. Interesses que dizem respeito aos "poderosos americanos", dos banqueiros aos militares, que são o ""símbolo de uma oligarquia nacionalista.

"Isso tem que ser levado a sério", defendeu Carlos Carvalhas.

Deparando-se com uma dívida e um défice comercial "colossais" nos Estados Unidos da América, Trump pretende reindustrializar o país - que, em tempos, ganhou muito com o livre-câmbio, mas que, agora, tem a concorrência de outros países, como a China.

Para o antigo líder comunista, as taxas sobre o aço e o alumínio cobradas à União Europeia são já prova desta linha de ação de Donald Trump.

"Não é de agora que os Estados Unidos estão a pôr de lado os seus aliados. O [lema] "America First" esteve sempre presente (embora umas vezes mais visíveis que outras) nas administrações norte-americanas", constatou.

Carvalhas destaca a posição particularmente "fraca" da Europa, cujas retaliações às medidas aplicadas por Trump "foram mais para a opinião pública ver" do que, de facto, penalizadoras para os EUA, sendo economicamente "pouco expressivas".

O comentador não tem dúvidas de que a Alemanha teme que Donald Trump vá mais longe e aplique uma taxa de 25% às importações de automóveis, que representam um quarto das exportações alemãs para os Estados Unidos da América.

Carlos Carvalhas nota as intervenções "comedidas" da chanceler Angela Merkel sobre Donald Trump, "em contraste com o modo como tratou os países do Sul".

"Fortes e arrogantes, para com os mais fracos, e comedidos e vassalos, para com os mais fortes - de quem, naturalmente, dependem", conclui.

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