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Ingleses levam histórico Paquete Funchal para longe de Portugal. Futuro passa por um hotel

Venda em leilão foi fechada por quase quatro milhões de euros.

O histórico paquete Funchal foi esta quarta-feira vendido em hasta pública por 3,9 milhões de euros, bem mais que a base de licitação de 2,3 milhões de euros.

O administrador de insolvência da empresa que até detinha o navio (a Pearl Cruises) confirmou a venda à TSF. José Pinto Oliveira acrescenta que apareceram dois interessados que fizeram quatro ofertas.

O comprador final é uma empresa inglesa (a Signature Living) que segundo o administrador de insolvência já informou que o Funchal será convertido num hotel, apesar de ainda não se saber onde vai ser colocado nem mais detalhes sobre o projeto.

O representante do grupo, que esteve hoje na hasta pública que decorreu a bordo do navio, que está atracado no Cais da Matinha, em Lisboa, declarou apenas que o Funchal vai ser levado para Inglaterra e que esta é a primeira embarcação adquirida pela Signature Living.

O Funchal era um dos quatro navios adquiridos pelo empresário Rui Alegre para um negócio de cruzeiros, financiado pela Caixa Económica Montepio Geral com um crédito de quase 150 milhões de euros, que recebeu como garantia apenas 40% desse valor. Segundo uma investigação da SIC, o dinheiro terá sido atribuído através de 14 sociedades pertencentes a Rui Alegre e utilizado parcialmente para amortizar empréstimos de outras instituições de crédito, salários e automóveis ao empresário.

O paquete Funchal recebeu quatro propostas de aquisição: uma de um grupo turco, que adquiriu também os navios Porto e Lisboa, que serão desmantelados para sucata e outras duas de dois consórcios, um luso-brasileiro e outro luso-francês que no decurso da hasta pública chegaram a entrar em conversações para derrotar os britânicos da Signature Living.

Lucas Soulard Djouadi, um dos cinco investidores luso-franceses, apresentou o consórcio como um grupo de empreendedores culturais que desenvolvem projetos em toda a Europa, investindo em "espaços com história" como a La Belle Villoise, em Paris.

"Temos interesse neste navio pela história que tem e o passado que teve. Queremos dar-lhe um novo futuro", disse.

Segundo o investidor o objetivo era manter o Funchal atracado na Matinha e convertê-lo num espaço de lazer, com hotel, restaurantes e bares, reabrindo-o aos lisboetas. "Seria uma nova forma de viagem", adiantou, explicando que o consórcio chegou a pensar retomar a navegação, mas desistiu da ideia "por ser demasiado complicado em termos técnicos".

A hasta pública começou às 15h00, com a apresentação das propostas e um valor base de licitação que começou nos 2,3 milhões de euros. Só terminou quase duas horas e meia com a desistência do consórcio luso-francês depois de ser ultrapassada a fasquia dos 3,9 milhões de euros após uma sucessão de lances de 10 mil euros.

"Podia oferecer mais", disse à Lusa o representante da Signature Living questionado sobre se o valor pago pelo navio seria demasiado alto.

O leilão decorreu na sala de espetáculos do navio, o 'lounge' Ilha Verde, que apresenta ainda os tetos espelhados com luzes coloridas e a decoração sofisticada da última viagem do Funchal, a passagem de ano de 2014, que foi celebrada na Madeira.

Este 'lounge', com 300 lugares sentados, era apenas um dos salões deste navio preparado para receber 598 passageiros e 189 tripulantes.

O Funchal foi construído pela Empresa Insulana de Navegação e fez a sua viagem inaugural em 1961.

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