Austeridade

Irlanda: Responsável do FMI assume que aposta na austeridade não resultou

Numa altura em que o ministro das Finanças diz que quer seguir o mais perto possível o exemplo irlandês, um responsável do FMI que participou na elaboração do programa de ajustamento da Irlanda assume que a aposta na austeridade não resultou.

Trata-se quase de um "mea culpa". O chefe da missão do FMI na equipa da 'troika' que se ocupou do caso da Irlanda disse agora que a receita seguida estava errada e não funciona.

Ashoka Mody, que já deixou o FMI, referiu que, quando a crise surgiu, havia três soluções possíveis mas a opção recaiu na austeridade. Algo que não foi razoável nem produtivo.

Ouvido esta manhã pela televisão pública, o antigo chefe do FMI explicou que confiar apenas na austeridade foi um erro porque os riscos de incucesso eram muitos e, por isso, a Irlanda e Portugal estão a pagar uma fatura pesada.

O responsável sublinhou que a solução passa agora por dar mais tempo aos dais países para pagarem às dividas; caso contrário, a alternativa é um sofrimento sem fim por parte das populações, uma cultura de dependência nacional e um enorme travão à consolidação da economia europeia.

Quanto ao que aconteceu e ao programa que ajudou a criar, Ashoka Mody assumiu as responsabilidades mas realçou que não está sozinho.

A 'troika' previu para 2012 um crescimento da economia irlandesa na ordem de 1,9%, mas ficou-se pelos 0,9%. A previsão para este ano, estabelecida em 2,2, foi revista em baixa para 1%.