'Mea culpa': FMI nunca se apercebeu da "fragilidade" dos bancos portugueses

O programa de ajustamento para Portugal devia ter previsto mais dinheiro para limpar os bancos. A conclusão é de uma avaliação interna do FMI, que apontou vários erros à intervenção da troika.

Um relatório do organismo de avaliação independente, interno, do Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou as intervenções do próprio FMI em Portugal, Grécia e Irlanda e concluiu que este errou, em vários pontos, nos programas montados para resgatar as finanças destes países.

Entre outras áreas, os especialistas dizem que ignoraram riscos "fundamentais" na banca. Um diagnóstico errado que leva este organismo interno de avaliação do trabalho do próprio FMI a dizer que o programa de ajustamento português precisaria de mais dinheiro para tratar dos bancos.

O documento vai mais longe e diz que o FMI não se deu conta, mas a banca nacional apresentava várias "vulnerabilidades" e permanecia "frágil" quando a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) saiu de Portugal em junho de 2014. Estes economistas do FMI dão aliás o exemplo da falência do BES que aconteceu poucos meses depois.

O relatório do Independent Evaluation Office (IEO) do FMI explica que, no fundo, o FMI seguiu o pensamento da maioria de que "'a Europa era diferente' dos Estados Unidos" onde tinha sido a falência de grandes bancos que levou, de início, à crise financeira de 2007-2008.

No entanto, os especialistas dizem agora que a magnitude dos riscos da banca foi ignorada pelo FMI e mais tarde estes problemas revelaram-se "fundamentais".

Além da falta de conhecimento sobre o que se passava no sector bancário, os especialistas do FMI voltam a admitir que os programas de resgate português e grego tiveram "projeções de crescimento demasiado otimistas".

Projeções mais realistas teriam tornado claro o impacto da austeridade na economia, sendo que no caso grego houve mesmo a aprovação de financiamentos excecionais ao Estado "sem procurar reestruturar a dívida pública" que já era considerada insustentável.

Em comunicado, os diretores executivos do FMI já vieram reagir a esta avaliação interna. Agradecem os reparos e dizem que serão úteis para situações futuras, mas sublinham que os programas de ajustamento de Portugal, Grécia e Irlanda foram implementados numa época cheia de incertezas.

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