Web Summit

Os unicórnios existem e vieram à Web Summit. No mundo das FinTech

A Revolut, a Kabbage e a Oscar Health querem quebrar o ritmo típico do movimento do dinheiro.

Eles não gostam propriamente do nome, mas também não se opõem a que o usem para os designar. Os "unicórnios" da FinTech são empresas que constituem uma raridade no mundo do dinheiro online: conseguiram sobreviver a um mercado super competitivo, conquistando a confiança e o dinheiro dos clientes.

A Revolut, a Kabbage e a Oscar Health têm um elo comum no que diz respeito ao que querem conquistar: ajudar a que o dinheiro seja utilizado pelas pessoas de uma forma diferente, uma forma que quebre o que os mercados oferecem neste momento.

Vamos por partes. Na MoneyConf da Web Summit estiveram três líderes de empresas que investem no mundo digital para encontrar novas formas de enviar, investir e poupar dinheiro.

Gastar dinheiro... de borla

Nikolay Storonsky é o fundador e CEO da Revolut, uma empresa que já se tornou num "banco digital mundial". A ideia partiu da frustração que Storonsky sentia ao ter que pagar aos bancos convencionais "taxas e taxinhas" para fazer transferências ou pagamentos.

O objetivo da empresa parece quase paradoxal, mas explicada a frustração de Storonsky, acaba por fazer sentido: "o nosso objetivo é que os clientes possam gastar o seu dinheiro de borla em todo o mundo", explicou. O resultado? "Agora somos um banco digital à escala mundial."

O mundo está, como se sabe, em constante mudança e um dos exemplos dos nossos tempos é o Brexit. Curiosamente, um assunto que tem sido uma verdadeira dor de cabeça para Bruxelas e Londres, não tem sido propriamente incomodativo para o CEO da Revolut.

"Até agora não vimos grandes diferenças. Continuamos a conseguir trazer fundos para Londres, mesmo que vindos de outros países. Só tivemos que pedir algumas autorizações a nível europeu, mas nada de impactante". Um mar calmo, portanto.

A Revolut quer agora expandir-se para os EUA, sendo que os regulamentos apresentam a maior preocupação para a empresa. Sem adiantar pormenores, Storonsky diz apenas que a incursão será feita gradualmente.

Houve ainda tempo para o britânico de ascendência russa mostrar o enorme otimismo que um empreendedor bem-sucedido pode sentir. Questionado sobre como planeava atacar o mercado contra as grandes instituições bancárias mundiais, respondeu com um confiante e direto: "não há planos, há resultados." A estratégia, assegura, tem corrido bem: "abrimos milhares de contas todos os dias."

"O Healthcare é uma confusão"

"Vocês aqui na Europa não têm de se preocupar muito em garantir que têm cuidados de saúde, certo?", perguntava o moderador Robert Hackett, jornalista da Fortune, à audiência.

A razão da pergunta é a Oscar Health. Esta empresa apresenta-se como uma alternativa aos seguros de saúde norte-americanos, algo que torna o sistema de Saúde dos EUA "ruinoso", explica o CTO, Alan Warren.

Nos Estados Unidos, "encontrar um médico e marcar uma consulta é uma dificuldade imensa", começa por explicar. Para isso, é preciso ter um seguro de saúde.

No país governado por Donald Trump, explica Warren, a Saúde é um negócio que movimenta "enormes quantidades de fundos", que são transferidos por meio de "sistemas com 15 ou 20 anos."

A Oscar Health quer resolver esta questão ocupando o lugar que as seguradoras tradicionalmente reservam nesta verdadeira "cadeia alimentar", evitando o que acontece ao americano comum: a maior parte dos seguros de saúde é feito através de um acordo com o empregador. Há zero feedback por parte da seguradora, até que algo de mal acontece. Depois disso, chega a conta.

A empresa da qual Warren é CTO entende que "isto não funciona." Porquê? "A seguradora não pode mexer só no dinheiro. Tem que guiar o cliente através do sistema de saúde, cuidar dele e não do dinheiro dele." É preciso, portanto, "mudar o ecossistema."

Tudo coube na couve

No início, o objetivo da Kabbage ("couve com k" em inglês) era simples: oferecer pequenos empréstimos a vendedores do eBay e Amazon. Hoje, esses representam apenas 10% da carteira de clientes. Os outros 90%? "Toda a gente."

A ideia era dar acesso a capital, em menos de 10 minutos e com dados acerca do risco financeiro em tempo real, a pequenos vendedores de plataformas online, de forma a expandirem os seus negócios.

O conceito resultou tão bem que a Kabbage decidiu expandir o negócio aos restantes comerciantes, com resultados que hoje a definem como um dos "unicórnios" da FinTech.

Os próximos passos devem passar por permitir aos donos de negócios fazer pagamentos diretamente a quem os devem fazer, um pouco à semelhança de plataformas como o PayPal. A razão, explica Kathryn Petralia é a burocracia.

" Temos conhecimento de cerca de 160 mil negócios que precisam de contactar com cerca de 10 entidades diferentes para gerir as finanças. A Kabbage quer ser a única de que necessitam."

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