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Senhorios e inquilinos separados por 40 euros. Em Lisboa é (muito) pior

Potenciais compradores admitem dar 138 mil euros por uma habitação. Senhorios querem mais 35 mil. Inquilinos ponderam rendas de 500 e senhorios querem 540. Em Lisboa a diferença é muito maior.

74% das pessoas que procuram casa em Portugal querem rendas de no máximo 500 euros mensais, mas as habitações disponíveis a esse preço representam apenas 61% do total de imóveis no mercado.

As conclusões são do Observatório da Habitação da imobiliária Century 21, e consolidam a ideia de um problema grave no setor imobiliário: o inquérito a 800 pessoas mostra que a nível nacional os potenciais senhorios esperam receber rendas mensais de 537 euros - 37 euros acima do que os inquilinos estão disponíveis para pagar.

Esta é a média nacional. Em Lisboa quem procura admite ir até aos 550 euros, mas a média de 2017 reportada pelo Instituto Nacional de Estatística de 9,6 euros por metro quadrado na capital significa que este valor só dá para uma casa de 57 m2. Estes 550 euros também parecem baixos na comparação com a média de rendas de novos contratos registada pela Century 21 no distrito de Lisboa nos últimos seis meses, que foi de 923 euros.

No Porto, os inquilinos admitem pagar cerca de 470 euros por mês, e no Algarve 450.

38% das pessoas pondera pagar rendas equivalentes a 30% do orçamento familiar.

O estudo mostra também que 90% dos portugueses continuam a alimentar o sonho de comprar casa, e se puderem é o que vão fazer. Entre as razões apontadas para a preferência por casa própria, 58% sublinham que se trata de um investimento e 38% salientam que essa é a forma de criar um lar. Os inquiridos com mais de 50 anos realçam também que essa é uma forma de deixar alguma coisa para os filhos.

Mas no mercado de compra e venda também há desequilíbrios, desde logo no preço: há uma diferença de 35 mil euros nas expectativas de uns e de outros. Os compradores admitem em média pagar 138.600 euros, enquanto os vendedores esperam fazer negócio por mais de 173 mil.

38,6% dos inquiridos compra casa com poupanças e um crédito bancário para o restante.

Para 33,6% dos que recorrem a empréstimo, a prestação representa entre 10% a 20% do rendimento familiar. Noutro terço dos casos, a hipoteca é responsável por 20% a 30% das receitas. Em 18,6% das situações, os gastos com a prestação representam mais de 30% do rendimento.

Na Área Metropolitana de Lisboa, o preço médio que os portugueses estão disponíveis para pagar ronda os 167 mil euros. O valor é 29 mil euros acima do registado no Porto, 36 mil acima do reportado no Algarve e é 39 mil euros superior ao valor registado no resto do país.

85% das pessoas que ponderam pedir crédito para comprar casa admitem pagar no máximo 500 euros de prestação. 6,5 % estão dispostas a ir até aos 600.

80,4% das habitações para venda ou arrendamento são imóveis em segunda mão, sem necessidade de remodelações, enquanto a procura revela que apenas 60,2% dos consumidores opta por esta solução.

44,8% da oferta de habitação situa-se nas zonas periféricas do centro das cidades e 35,7% nas zonas centrais. Estes dados evidenciam mais um desequilíbrio: existe escassez de oferta de imóveis nas zonas centrais da cidade, com a procura nessas zonas da cidade a exceder a oferta em 6,5 pontos percentuais. Nos subúrbios a oferta é excessiva em relação à procura em 4,7 pontos percentuais.

Outro desajuste é na tipologia: 37,2% da oferta de habitação é de imóveis com três quartos, menos do que os 40,9& de pessoas que procuram casas com esta configuração.

O inquérito mostra ainda que a casa ideal para quem procura habitação é um apartamento em segunda mão e sem necessitar de remodelações, com três quartos e duas casas de banho, arrecadação e garagem, com uma área de 100 m2, localizada no centro de cidades ou próximo disso, com bons transportes públicos e proximidade a supermercados e comércio tradicional, numa zona segura

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