crise dos combustíveis

Requisição civil evita que os aeroportos parem já esta manhã, diz o Governo

O ministro do Ambiente garantiu que os aeroportos de Lisboa e Faro ficariam sem combustível, caso não fosse imposta a requisição civil dos motoristas de matérias perigosas em greve. O Sindicato acusa o governo de querer boicotar o protesto.

O ministro do Ambiente assegurou esta terça-feira, em entrevista à TSF, que a requisição civil aplicada aos motoristas de matérias perigosas é "vital" para assegurar os serviços mínimos, nomeadamente no funcionamento dos aeroportos de Lisboa e Faro. "A razão foi, de facto, o inaceitável incumprimento dos serviços mínimos por parte dos transportadores. Não poderia [haver esta falta], para uma função tão vital", frisou João Pedro Matos Fernandes.

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"Poderia fazer com que, já hoje ao final da manhã, os aeroportos de Lisboa e de Faro ficassem sem combustível, e mesmo as empresas de transportes coletivos ficassem na mesma situação", justificou ainda o ministro, que acredita que o Executivo "não poderia agir doutra forma".

Sobre a excecionalidade da aplicação da requisição civil, Matos Fernandes sublinhou que esta segunda-feira não foram assegurados os serviços mínimos fixados em despacho. "A requisição civil dá às empresas o poder de requisitar os trabalhadores para trabalharem. O âmbito desta requisição civil é mesmo a garantia dos serviços mínimos. Se os serviços mínimos que foram tratados pelo meu colega da Segurança Social [Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social] tivessem sido cumpridos, não teria havido necessidade desta requisição civil", finalizou Matos Fernandes.

Para o vice-presidente e consultor do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, a medida visa anular a intenção de greve dos trabalhadores. "O despacho dos serviços mínimos seria para abastecer 40% dos postos de combustível de Lisboa e do Porto, para abastecer todos os aeroportos, bases aéreas, como se de um dia sem greve se tratasse", argumentou Pardal Henriques, em declarações à TSF.

O que o Governo pretende, diz o representante do sindicato, é "servir a Petrogal, o gás a granel e outros produtos como se de um dia de não-greve se tratasse" e "diminuir um bocadinho os postos de Lisboa e Porto", o que resulta numa situação em que "não valia a pena fazer greve".

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