Europa

São grandes as probabilidades de Portugal não cumprir compromissos com a "troika", diz João de Deus Pinheiro

O antigo comissário europeu e ex-ministro de Cavaco Silva considerou, em declarações à TSF, que os portugueses não se podem queixar da falta de solidariedade da Europa. João de Deus Pinheiro disse, no entanto, serem grandes as probabilidades de Portugal não cumprir compromissos com a "troika".

No Dia da Europa, data que a União Europeia (UE) assinala hoje nos 27 estados-membros, a TSF conversou com João de Deus Pinheiro, antigo comissário Europeu e ex-ministro do Negócios Estrangeiros, que sublinhou a «solidariedade da Europa com Portugal».

«Foi muito benigna e deus queira que não tenhamos que vir a ter um novo aperto ou alguma interrupção do financiamento por falta de resposta ou trabalho de casa da nossa parte. Mas julgo que neste momento critiar a Europa seria um profundo erro. A Europa continuou a acreditar em Portugal muito mais do que, na minha opinião, seria exigível», afirmou.

«Acho que foi solidária de mais porque atendendo aos últimos seis anos e ao curriculo do governo é preciso ser muito solidário para emprestar 80 mil milhões de euros. Pessoalmente, se não fosse português teria as maiores reservas a este empréstimo porque a probabilidade de não ser cumprido é enorme», defendeu.

João de Deus Pinheiro espera, por isso, que o novo governo dê outras garantias aos portugueses e aos parceiros europeus.

«Não há margem para derrapagens e facilitismos. Vai ser extremamente difícil [Portugal cumprir este acordo] a menos que haja uma grande mudança no governo e que haja um novo rigor e uma nova atitude, mas atendendo às sondagens não vejo que seja possível haver um governo substancialmente diferente do actual. Estou muito preocupado», confessou João de Deus Pinheiro.

A União Europeia celebra hoje o 61º aniversário do Dia da Europa com diversos eventos públicos nos 27 estados-membros, incluindo em Portugal, para assinalar os feitos desde 9 de Maio de 1950, quando o ministro dos Negócios Estrangeiros francês Robert Schuman apresentou a proposta de aprofundamento das relações entre países europeus, criando-se uma comunidade organizada de nações numa Europa que tinha as memórias da guerra ainda muito próximas.

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