Economia

Silva Peneda teme economia «esfrangalhada» com mais austeridade

No programa Bloco Central, Silva Peneda disse que o acórdão do TC «é a consequência de um risco que foi assumido pelo Governo» e que o Governo errou na dose de austeridade.

O presidente do Conselho Económico e Social receia que as novas medidas do Governo para compensar o chumbo do Tribunal Constitucional deixem a economia «esfrangalhada».

No programa Bloco Central, Silva Peneda entende que o Executivo errou na dose de austeridade e que é preciso abrandar nas medidas de caráter recessivo.

Para este ex-ministro do Emprego e Segurança Social, o acórdão do TC «é a consequência de um risco que foi assumido pelo Governo», um risco que entende ter sido «elevado».

«Correu esse risco e está a pagar pelo risco que assumiu de enviar um Orçamento que todos sabíamos que tinha uma grande probabilidade de ser considerado inconstitucional», acrescentou.

Silva Peneda disse ainda que ficará muito preocupado se estas medidas do Governo tiverem um «impacto muito grande no rendimento disponível das famílias», porque «isso vai significar mais desemprego».

O presidente do CES entende que «houve um problema de dose excessiva numa componente que não atendeu à realidade concreta da economia portuguesa» e que se corre o risco de se ficar sem economia, mesmo com as «coisas equilibradas».

O antigo ministro, que agora preside à concertação social, assegurou ainda que não percebe como se pode criar uma taxa social única sobre pensões, até porque uma TSU só pode ser aplicada a patrões ou a trabalhadores.

«Isso é um imposto. Depois de se estar reformado se aparece uma taxa isso para mim à partida é um imposto. Tenho dificuldades em perceber a designação e a natureza dessa taxa», explicou.

Sobre o aumento da idade da reforma para os 67 anos, Silva Peneda espera que «haja bom senso de não tomar decisões sem haver uma conversinha com os parceiros sociais».

«Os patrões e os trabalhadores são os que financiam a Segurança Social e portanto se houver essa intenção não pode deixar de haver esta conversa, até porque o regime que existe foi objeto de uma ampla reforma e foi consensualizada com todos os parceiros sociais», concluiu.