"Situação quase dramática." Crise dos combustíveis já está a afetar o turismo

A Confederação do Turismo de Portugal e a Comunidade Intermunicipal do Algarve admitem fuga de turistas. Os negócios do rent-a-car e alguns voos estão comprometidos. No interior, a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões lamenta que apenas Lisboa e Porto sejam abrangidos pelos serviços mínimos.

A greve dos motoristas está a provocar "sérios problemas no abastecimento de combustíveis", o que "irá trazer um impacto negativo ao turismo e à economia nacional". É a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) que o constata, "sobretudo na semana da Páscoa, época tradicionalmente muito procurada pelos portugueses para gozo de férias".

"Os prejuízos desta greve são evidentes para os portugueses que visitam as suas famílias nesta altura do ano, para os turistas que enfrentam dificuldade para chegar aos seus destinos de férias, para os hotéis e operadores de viagens que estão sob uma ameaça grave de fuga de turistas", afirma Francisco Calheiros, presidente da CTP, que apela ao Governo para que alargue o período de requisição civil.

É uma situação "quase dramática" na ótica de Francisco Calheiros, devido ao desvio de voos "para abastecer noutras cidades". "Algumas companhias estão a pôr aviões da maior capacidade para não terem de abastecer", garante o presidente da CTP à TSF. Outro dos negócios afetados é o do rent-a-car: "As operadoras não conseguem entregar as viaturas, e as que estão em trânsito não conseguem abastecer".

"Muitos espanhóis têm intenção de vir para o nosso país na Páscoa e a crise ainda se vai agravar", alerta Francisco Calheiros. As viagens de habitantes do país vizinho podem estar comprometidas, já que "as pessoas não têm combustível suficiente para aguentar todo o percurso e, em Portugal, quase não há postos para abastecer".

O presidente da confederação que engloba companhias aéreas, aeroportos e negócios de rent-a-car, exige que tudo seja resolvido até à manhã desta quinta-feira.

A Comunidade Intermunicipal do Algarve também fala de uma "situação complicada e complexa" no setor. Por isso, o presidente da AMAL e da câmara municipal de Tavira, Jorge Botelho, vai "comunicar ao Governo que o Algarve deve ser incluído no alargamento dos serviços mínimos", por ser a época da Páscoa e por haver "um milhão de pessoas" em terras algarvias.

Ouvido pela TSF, Jorge Botelho apresenta preocupações similares às de Francisco Calheiros.

Também há avisos que chegam do centro. O presidente da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, Rogério Abrantes, lamenta que, também em matéria de serviços mínimos nos combustíveis, o interior do país seja mais uma vez "esquecido".

"Lisboa e Porto vão andando, nós ficamos parados", analisa Rogério Abrantes, preocupado com o impacto económico da crise dos combustíveis. O autarca socialista de Carregal do Sal não compreende que Viseu não seja abrangido por esta medida de exceção. Diz que o panorama do interior é muito mais grave, já que a região vai ficar paralisada, ao contrário dos grandes centros urbanos.

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