"Temos que manter grau de exigência para apanharmos grupo de países à nossa frente"

Ministro das Finanças está confiante em relação à evolução da economia portuguesa e garante que o país deixou de estar na "cauda da Europa".

Mário Centeno acredita que o rating da dívida vai subir em breve e manifesta confiança na evolução da economia nos primeiros três meses do ano, apontando para dados "encorajadores" que mostram um "comportamento da economia portuguesa bastante positivo".

Em entrevista à agência Reuters, o ministro das Finanças afirma que a melhoria da perspetiva da dívida portuguesa feita pela agência canadiana de notação financeira abre a porta a uma melhoria da nota.

"A indicação que a DBRS deu há duas semanas de melhoria do 'outlook' significa que, no curto prazo, há uma expectativa de também melhorar o rating. E é essa a tendência que esperamos para o futuro", frisou Mário Centeno.

Questionado sobre as previsões para o PIB, admitiu que, apesar de ainda não serem conhecidos os dados oficiais para o primeiro trimestre, há sinais encorajadores para esse período.

O Governo estima um crescimento de 1,9 por cento, acima das precisões do FMI e Bruxelas e um défice de 0,2% do PIB, uma melhoria em relação aos 0,5% do ano passado, que foi o défice mais baixo da história da democracia.

"No estado em que a economia portuguesa estava em 2015, com o seu sistema financeiro debilitado e condições de financiamento longe das ideais, não há nada mais democrático, no sentido de chegar a todos os portugueses, que não seja a melhoria das condições de financiamento e do rating da República Portuguesa", revelou o governante.

Na entrevista, o ministro reafirmou ainda que que a dívida vai cair e que as melhorias nas contas do Estado não são feitas à custa do investimento público, frisando que Portugal tem "condições, a partir de 2020, para que o nível de dívida nominalmente, e não só em percentagem do PIB, se reduza".

"Temos que manter um grau de exigência suficientemente grande para que nos próximos quatro a cinco anos a dívida se reduza para abaixo dos 100 pct do PIB e apanhemos o próximo grupo de países que está à nossa frente", salvaguardou.

O ministro acredita que um dos principais passos já foi dado. "Deixámos de estar na cauda da Europa em termos de dívida e passamos a ter uma dívida próxima dos valores da França, da Espanha e da Bélgica", esclareceu, frisando que o país deve "continuar nesse processo no futuro até que a economia portuguesa possa tomar todas as suas decisões em plena liberdade de afetação dos seus recursos internos".

Continuar a ler