A Vida do Dinheiro

UGT pede ajuda a sindicato alemão para pressionar Volkswagen

Carlos Silva acompanha com preocupação a situação da Autoeuropa e afirma que é preciso criar condições de estabilidade.

A UGT vai apresentar uma proposta à Autoeuropa para tentar resolver o conflito que se vai arrastando. O que vão defender nesse acordo?

Defendemos que deve haver estabilização dentro da empresa que contribui de uma forma extraordinária para o PIB. Ou há uma comissão de trabalhadores, com um líder forte, carismático, que olha a administração olhos nos olhos e que consegue passar com serenidade as suas propostas, ou então temos o problema que se tem visto nos últimos meses. ´

Com António Chora à frente da comissão de trabalhadores, acredita que a situação seria diferente?

Acredito que António Chora teria mantido um ritmo de estabilidade que ele comprovou durante mais de 20 anos. Também há aqui uma tentativa de assalto ao poder. A UGT não está metida ao barulho, porque não tem nenhum representante na atual comissão de trabalhadores. O que gostaríamos era que os direitos dos trabalhadores da Autoeuropa fossem constituídos num acervo que tivesse base legal (ou seja, contratos de trabalho subscritos com sindicatos) que as comissões de trabalhadores não têm.

Pode levantar o véu sobre essa proposta?

A UGT não apresenta propostas, disponibilizou-se para apoiar o seu sindicato numa pressão política e mediática para levar a administração a reunir connosco. Antes de vir para aqui recebi a informação de que o senhor administrador-delegado irá receber-nos na próxima semana. Já é um passo. O assunto está muito mediatizado e estou convencido que, tanto a empresa como os trabalhadores, querem estabilidade. Querem garantir os seus salários, que as adaptações do horário de trabalho sejam uma vertente onde tenham a devida compensação, que não seja só dias de folga, que seja em dinheiro. Não se pode trabalhar sábados e domingos sem que as pessoas tenham uma compensação. A generalidade do que está neste momento no único contrato coletivo do setor automóvel, subscrito pelo Sindel, poderá fazer parte do contrato da empresa. Depois haverá especificidades. Não discordamos que as propostas que a comissão de trabalhadores apresentou possam ser vertidas para uma proposta do Sindel.

Acredita que o risco de deslocalização da fábrica de Palmela é neste momento real e que a fábrica até possa perder importância em futuras produções da marca?

Não sei se esse risco é latente ou não. Estou preocupado com o que tenho lido e sobretudo com os contactos internacionais. No dia 14 estarei em Bruxelas com o secretário-geral adjunto da confederação europeia de sindicatos alemã, que tem a grande responsabilidade de representar milhares de trabalhadores da VW. Irei trocar impressões com ele, no sentido de nos ajudar a pressionar a administração para respeitar os compromissos com os trabalhadores. Quanto à deslocalização, é uma questão que está em cima da mesa, porque a Autoeuropa tem benefícios fiscais ao longo dos anos que lhe permitiu fazer investimentos tremendos em Portugal. Tem a produção do T-Roc, poderá vir a ter outros modelos, é preciso garantir estabilidade laboral na empresa para que a empresa decida se quer ou não continuar. Nós é que temos de contribuir para que ela continue. Se continua o conflito latente, tenho algumas dúvidas que em relação ao futuro não haja uma ponderação em relocalizar alguns produtos. Esperemos que não.

A entrevista a Carlos Silva vai para o ar este sábado, às 13h, na TSF. É também publicada na edição em papel do Dinheiro Vivo deste sábado, que sai com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias.