Lesados do Banif processam Comissão Europeia e TVI

Ouvida no Parlamento, a Associação de Lesados do Banif (ALBOA) diz que a CE tem que ser responsabilizada e que houve "negligência" na forma como a TVI divulgou a notícia sobre a resolução do banco.

"Iremos avançar para ações contra a Comissão Europeia, porque temos indícios suficientes de responsabilização da mesma. Até ao próximo fim de semana, haveremos de avançar com uma ação contra a TVI, por negligência", anunciou Jacinto José Brito da Silva, presidente da ALBOA.

A jornalista Judith Menezes e Sousa dá conta da intenção da Associação de Lesados do Banif

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O processo contra a TVI, "por negligência", está relacionado com a notícia, divulgada a 13 de dezembro de 2015 (um domingo à noite), em que era avançado que o Banif iria ser alvo de uma medida de resolução.

Ouvido pelos deputados, Jorge Tomé, o antigo responsável do Banif, denunciou que esta notícia terá precipitado uma corrida aos depósitos, que rondou os mil milhões de euros. Eventuais ações contra o BdP e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) não estão postas de lado, mas a Associação ainda está a recolher informações.

A Associação de Lesados do Banif responsabiliza o Banco de Portugal por "falhas graves". "Em nosso entender, quem terá mais responsabilidades é o BdP, porque era o supervisor e devia ter exercido as suas funções", criticou o líder dos lesados do Banif.

A ALBOA pediu aos deputados que solicitem à CMVM o relatório sobre a forma de venda de produtos aos lesados. Num depoimento emocionado, os representantes dos lesados referiram casos de "venda fraudulenta" em que "pessoas com pouca literacia financeira assinaram tudo o que lhes foi dado para a mão", porque lhes foi dada a garantia de que a participação do Estado era "garantia de segurança".

"Havia gestores que diziam que o Estado era dono maioritário do Banif e que por isso não podia ir à falência", disse Jacinto José Brito da Silva, presidente da ALBOA.

Pelas contas da Associação, os valores investidos por mais de metade dos lesados "rondam os 100 mil euros". "95% dos investidores perderam praticamente todas as poupanças", referiu o presidente, sublinhando que, a grande maioria assinou "sem conhecer a 100% as condições dos produtos que lhes eram vendidos como equivalentes a depósitos a prazo".

Por agora, os lesados do Banif aguardam pelas propostas da Santander, suspendendo, temporariamente, as ações de protesto, mas prometem formas "inovadoras e com muito impacto", caso regressem "à luta".

Questionado sobre se mantêm uma boa expectativa face a um desfecho positivo, o presidente da ALBOA desabafou: "Deus o ouça!"

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