Maria Luís revelou interessados no Banif em carta à Comissão

A três dias do final do prazo dado pela Comissão Europeia, a 27 de março, a ministra das Finanças revelava que existiam dois interessados na compra dos 60,5% do Banif detidos pelo Estado; mas, para Maria Luís, o grande problema do banco continuava a ser a equipa de Jorge Tomé, um assunto que não tinha conseguido resolver.

A carta a que a TSF teve acesso começa com um tom otimista, descrevendo os progressos na reestruturação do Banif, mas acaba a assumir que os principais objetivos - venda da participação do Estado e substituição da administração - ainda estão por resolver.

Ao que Maria Luís Albuquerque escreve, na carta dirigida à Comissária europeia da Concorrência Margrethe Vestagen, o governo já tinha recebido algumas "cartas de intenção de investidores disponíveis para comprar parte da participação do Estado no Banif" (o Jornal de Negócios desta terça-feira revela que os interessados seriam o banco Haitong, que comprou o BESI, e fundo Cobussen&Partners).

A antiga ministra das Finanças revela ainda que existem outros dois interessados, com os quais "houve poucos avanços até à data", e apesar de estar a três dias do prazo definido por Bruxelas para resolver o problema do Banif, limita-se a dizer que considera que "também devemos explorar esse caminho", e que "está muito interessada em conhecer a opinião da Comissária acerca das condições para a venda" da participação do Estado no Banif.

À parte estes progressos, num parágrafo anterior, Maria Luís Albuquerque descreve o impasse naquele que parecia ser, na opinião da antiga ministra, o principal problema do Banif à altura - a equipa de Jorge Tomé. Maria Luís começa por dizer que "lamenta informar que a pessoa que tinha escolhido para CEO do Banif (para substituir Jorge Tomé) não conseguiu reunir as condições que considerava necessárias para liderar o banco, e declinou o convite". A então ministra de Estado e das Finanças revela ainda que convidou um elemento da atual administração para assumir o lugar de Jorge Tomé, mas o convite também foi recusado; e, assume, "outras pessoas foram contactadas, igualmente sem sucesso".

Maria Luís afirma ainda "acreditar que pode ser encontrada uma solução", mas lamenta estes acontecimentos "à luz do prazo limite acordado para Abril [para vender a participação do Estado no Banif]".

O resto da história é conhecido. Jorge Tomé ficou no banco, com o anterior Governo em continuada desconfiança sobre a capacidade do gestor, sobretudo no diálogo com a Direção-geral europeia para a Concorrência. Ao longo dos últimos meses, o Banif viu rejeitados pela DG-Comp, parcial ou totalmente, oito planos de reestruturação.

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