Tomás Correia tem "a certeza absoluta" que inquéritos não o impedem de liderar a instituição

Presidente da mutualista garante que processos no Banco de Portugal e no Ministério Público não impedem a sua liderança. Tomás Correia, recandidato ao cargo, sublinha que "não há lesados do Montepio".

António Tomás Correia está certo que os inquéritos de que é alvo no Banco de Portugal e no Ministério Público não só não impedem a sua recandidatura à presidência da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), como não impedirão a sua liderança, caso seja eleito.

Entrevistado na TSF e Dinheiro Vivo, o presidente recandidato é perentório: "tenho a certeza absoluta que a regulamentação do código mutualista e aquilo que me vai sendo imputado, em muitas circunstâncias falsamente, não impedirão que possa continuar a desenvolver a minha atividade na associação mutualista". E acrescenta que isso mesmo "facilmente se comprovará dentro de muito pouco tempo quando os novos órgãos sociais tomarem posse".

António Tomás Correia entende que "o que se tem dito sobre a matéria resulta de má-fé ou de ignorância sobre a matéria" e assegura que ainda que o novo código das mutualistas - que deverá entrar em vigor nos próximos meses - tenha efeitos retroativos, isso não vai abalar nem a sua recandidatura nem a sua liderança da AMMG, caso vença: "quer tenha efeitos retroativos quer não tenha, o novo código mutualista não é impeditivo da minha candidatura e em nenhuma das situações que alegadamente me são imputadas impede o exercício de funções".

O presidente da maior mutualista do país, com 620 mil associados, nega que exista o o risco de estar a fazer a Associação perder tempo e envolver-se em nova polémica sofrendo danos de imagem: "de maneira nenhuma", argumenta.

Empréstimo a José Guilherme: "não faço ideia"

Tomás Correia é alvo de inquéritos no Banco de Portugal - que o acusa de incumprimento das regras prudenciais e de análise de crédito no banco do grupo, a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), e de eventual falsificação de documentos - e no Ministério Público, que o investiga por suspeita de recebimento de comissões ilegais quando liderava o banco (o que aconteceu até 2015).

Essas comissões, no valor de 1,5 milhões de euros, terão sido alegadamente pagas pelo construtor José Guilherme, num processo que envolve burla qualificada e branqueamento de capital. José Guilherme, que terá conseguido no Montepio empréstimos no valor total de 8,5 milhões de euros, pagou o mesmo valor a Ricardo Salgado, avançou o Público .

O presidente da mutualista garante que não conhece os detalhes dessa operação: "não faço ideia", afirma, justificando que "quando se tem uma carteira de crédito que devia andar pelos 16 mil milhões, e estamos a falar de uma operação de 8,5 milhões, não faço ideia". Mas assegura que "os procedimentos adotados no Montepio sempre, e nomeadamente no tempo em que estive à frente da Caixa Económica respeitaram as normas regulatórias e os procedimentos internos, e estes por si também respeitam as normas regulatórias" e por isso, quando questionado sobre um eventual tratamento de exceção na atribuição de empréstimos a José Guilherme, afirma que tal tratamento "nunca houve".

"Nunca atuei para favorecer seja quem for", garante, continuando: "não falo - porque não sei - dessas operações. Mesmo que soubesse, por razões deontológicas não falaria. Mas não constam dificuldades e incumprimentos por parte desse cliente".

Entrada da Santa Casa nos "próximos 30 dias"

Ainda não está formalizada a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital da CEMG.

A operação, um dos temas que nos últimos anos colocou o Montepio no topo da atualidade, ainda não foi formalizada: "estamos em fase de finalização do processo", avança, explicando que "há 50 instituições da economia social disponíveis para entrar no capital da Caixa Económica. No entanto, essa disponibilidade tem de ser autorizada pelas respetivas assembleias gerais. Essas assembleias ocorrem ao longo do mês de novembro e primeiros dias de dezembro e o que sabemos é que a generalidade das assembleias têm vindo a cumprir essa formalidade. Estamos a fechar o processo e em menos de 30 dias teremos esse processo todo fechado".

A injeção, que chegou a ser noticiada como alcançando o o valor de 200 milhões de euros, é afinal de apenas 75 mil euros.

E, no total de todas as entidades, será "seguramente menos de meio milhão de euros. Para um capital emitido de 2.420 milhões estamos de facto a falar de uma marginalidade", admite.

"Não há lesados do Montepio"

O presidente e recandidato recorda o período mais agudo da crise para sublinhar que "fala-se muito de lesados, mas não há lesados do Montepio".

Tomás Correia, que está ao leme da AMMG há dez anos, garante reunir os requisitos para continuar a liderar a AMMG na fase de transição para a regulação do supervisor dos seguros, "pelo conhecimento que tenho da regulação da atividade seguradora, e conheço muitíssimo bem aquilo que é um balanço e a forma como se expressa o balanço e a conta de exploração", lembra que a Associação e o banco estão muito ligados ao tecido económico e social: "estamos muito envolvidos com os agentes económicos e naturalmente sofremos a crise. Quando houve desemprego, os portugueses deixaram de poder pagar os seus créditos ao Montepio e aos outros bancos. Quando as empresas insolveram, deixaram de poder pagar ao Montepio e aos outros bancos. Isto teve naturalmente consequências na nossa conta de exploração e no capital da Caixa Económica", mas assegura que "a Associação Mutualista capitalizou a Caixa Económica. Não pediu ajuda ao Estado nem para capital nem para liquidez. Fomos responsáveis, estivemos à altura das nossas obrigações, não provocámos qualquer lesão nos interesses dos nossos associados e dos nossos clientes".

"É difícil encontrar relatórios tão transparentes como os nossos"

Reagindo às acusações frequentes de falta de transparência no Montepio, Tomás Correia responde com um desafio, afirmando que seria com que os autores dessas críticas "lessem os nossos relatórios das contas anuais individuais e consolidadas e comparassem a clareza e transparência desses relatórios em matéria de ativos, gestão de ativos, alocação dos ativos, etc, para verem como nós usamos de uma grande transparência". "Aliás", conclui, "é difícil encontrar relatórios e contas tão transparentes como aqueles que nós produzimos".

Resultados de 2018 "marginalmente positivos"

Depois de ter alcançado lucros de 831 milhões de euros em 2017, que se seguiram a prejuízos de 151 milhões em 2016, Tomás Correia admite que para 2018 "as perspetivas são de termos resultados marginalmente positivos", mas isso, garante, "não é uma coisa que nos preocupe".

As contas do ano passado foram muito influenciadas pelo reconhecimento de ativos por impostos diferidos.

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