"Não precisamos da direita para governar mas pode vir a acontecer"

Em entrevista ao programa A Vida do Dinheiro, Pedro Nuno Santos, lembra que atualmente há um acordo com a esquerda parlamentar, mas que nada impede o executivo de procurar consensos à direita.

Economista de formação, político de carreira, ajudou António Costa a formar a "geringonça" e é o braço direito do primeiro-ministro para a manter bem oleada. É secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. Apesar das dificuldades, o balanço, até agora, só pode ser positivo: três Orçamentos do Estado aprovados com os votos a favor do BE, PCP e do PEV.

Disse há pouco tempo que "em matérias estruturantes vamos procurar o PSD e o CDS" e agora temos aí o exemplo da cooperação europeia na área da Defesa. Este Governo não corre o risco de à segunda, quarta e sexta estar a negociar com o BE e o PCP, e à terça e quinta com o PSD?

Não. Citou o título de uma notícia em que tive muito cuidado, muito cuidado em explicar que o nosso acordo é com o PCP, com o BE e com o PEV. É assim desde o início e será assim até ao fim. Os nossos orçamentos são construídos com esta maioria, o que não nos proíbe de não procurarmos o PSD e o CDS em muitas outras matérias para as quais as suas posições sejam importantes.

Via uma aparente contradição minha entre entrevistas porque eu teria dito uma vez que, com esta solução, o PS prova que não precisará mais da direita para governar, e é verdade. De facto, nós hoje temos opções que não tínhamos antes, portanto não precisamos, o que não quer dizer que não venha a acontecer. E não quer dizer também que não haja reformas que não devam ser feitas com um apoio ainda mais largo.

Dei o exemplo, nessa entrevista, da descentralização. Não se deve fazer a reforma da descentralização sem envolver a segunda maior força autárquica do país, mas isso não quer dizer que a maioria que está constituída no parlamento deixe de ser o eixo deste Governo. Quem apoia e suporta este governo é o PS, PCP; BE e os Verdes, não é o PSD nem o CDS.

A entrevista a Pedro Nuno Santos vai para o ar este sábado, às 13h, na TSF. É também publicada na edição em papel do Dinheiro Vivo deste sábado, que sai com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias.

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