Revalidar a carta de condução ou alterar a morada? O Sigma promete ajudar

Novo Portal do Cidadão quer um milhão de utilizadores e tem um assistente virtual. O novo site de relacionamento dos cidadãos com o Estado quer triplicar os atuais 320 mil utilizadores do portal.

Chama-se Sigma e vai ajudar os utilizadores do substituto do Portal do Cidadão: "O assistente virtual usa uma ferramenta de inteligência artificial e acompanha de forma automatizada o cidadão ou o empresário que pretenda encontrar determinada funcionalidade no site", diz à TSF o secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, Luís Goes Pinheiro.

O Sigma, um chatbot que permite o esclarecimento rápido de perguntas e ajuda na navegação - para, por exemplo, alterar a morada - é uma das novidades do ePortugal, que toma o lugar do Portal do Cidadão na relação dos cidadãos com a Administração Pública.

O objetivo, afirma o governante, é aumentar a utilização de meios eletrónicos por parte dos cidadãos, dado que "apesar da imensa disponibilização de serviços online ao longo dos anos pela Administração Pública, os níveis de utilização são bastante baixos". Goes Pinheiro dá exemplos: "em 2018, foram pedidas 750 mil revalidações de cartas de condução, mas menos de 10% foram por via eletrónica. O mesmo se passou com os pedidos de registo criminal: houve quase um milhão de pedidos em 2018, mas pouco mais de 6% foram feitos online".

O executivo quer aumentar estes números: "no espaço de um ano gostaria de aproximar-me de um milhão de utilizadores", explica, sublinhando que o novo site é mais do que uma versão revista do Portal do Cidadão, porque concentra serviços que estavam dispersos: "o Portal do cidadão é um, mas também o balcão do empreendedor, dirigido às empresas, o mapa do cidadão, a agenda do cidadão, a bolsa de documentos e o diretório de aplicações móveis", enumera.

O novo portal, garante Goes Pinheiro, garante acesso "de forma mais intuitiva e fácil de ler" a mais de 1.200 serviços disponíveis para os cidadãos e 1.300 para empresas".

Para isso, vai disponibilizar áreas - chamadas "eventos de vida" para facilitar a procura de determinado serviço: "por exemplo, há pessoas que querem fazer algo relacionado com a casa mas não têm a certeza do que precisam, e na verdade o que querem é registar um imóvel. Vão encontrar isso facilmente", garante, manifestando também que na construção do novo site houve uma preocupação com a simplificação da linguagem: "a Administração Pública, sobretudo em áreas mais técnicas, comunica muitas vezes de forma pouco clara com o cidadão, e o que se pretende é que a informação sobre os serviços esteja disponível em linguagem clara".

O ePortugal vai também disponibilizar a funcionalidade click to call, "que é a possibilidade de o cidadão ou empresário que pretenda ser contactado a propósito de um qualquer tema da administração pública, poder solicitar esse contacto a partir do site - por via eletrónica que é a preferencial, ou aguardando um telefonema".

Será também possível "pedir senhas para os serviços que são prestados nas lojas do cidadão e acompanhar as filas de espera. Quer a partir do telemóvel ou do computador de secretária, é possível marcar um serviço ou tirar senha para um serviço e ir acompanhando para programar a deslocação à loja do cidadão", avança.

O secretário de Estado avança que o novo portal vai também agregar informação relevante da relação dos cidadãos com os serviços da Administração Pública: "no lançamento já teremos informação das Finanças, com um resumo da situação contributiva, e teremos informação relacionada com o Serviço Nacional de Saúde. A nossa expectativa é que durante o primeiro semestre tenhamos informação disponibilizada pela Justiça, e estamos em negociação com outras entidades, nomeadamente a Segurança Social".

Chaves Móveis Digitais quadruplicaram em quatro anos

Esses dados serão disponibilizados a cidadãos que se autentiquem junto do Estado "com os meios permitidos - designadamente com o certificado do cartão de cidadão ou com a Chave Móvel Digital". Esta segunda hipótese é a prioritária - a primeira implica o uso de um leitor de cartões no computador - e Luís Goes Pinheiro não acredita que isso seja um entrave: "com 300 mil pessoas com Chave Móvel Digital, a capacidade de generalização está muito mais facilitada, porque já é possível haver alguém - na família ou um amigo - que desmistifica a chave móvel digital. Há a ideia que é algo muito complicado e que para a obter temos de percorrer um conjunto de procedimentos. Mas é simples", assegura.

A Chave Móvel Digital (CMD) - mecanismo de acesso a sites da Administração Pública - cresceu de 75 mil utilizadores em 2015 para 317 mil no ano passado e é um sistema que para além de pedir um código de segurança, envia um SMS, mensagem no Twitter ou notificação numa app própria, com um segundo código, diferente em cada utilização.

Ao contrário do pedido de senha no Portal das Finanças, a CMD implica - se o cidadão não tiver um leitor de cartões - uma "primeiro ponto de contacto com a Administração", realça Goes Pinheiro, porque é preciso garantir que "aquele número de telemóvel tem de estar associado àquela pessoa". Para isso, "terá de contactar com um ponto do sistema, deslocando-se a um dos 548 espaços do cidadão ou a uma das 54 lojas do cidadão ou a uma conservatória".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados