OCDE mais pessimista que o Governo quanto ao défice

A OCDE piora a previsão do défice português para 2,9% em 2016 e admite mais medidas de contenção orçamental, especialmente caso a economia não acelere.

A OCDE até admite que o consumo privado pode compensar, de forma parcial, os resultados negativos do investimento, mas ao mesmo tempo avisa que nem sempre será assim.

Nas previsões económicas, conhecidas esta quarta-feira de manhã, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta que os efeitos da procura interna não vão produzir efeitos duradouros.

No documento, o organismo reconhece que algumas medidas - como o aumento do salário mínimo nacional, a reversão dos cortes salariais na Função Pública e da sobretaxa de IRS - vão manter o consumo robusto.

O problema, aponta a OCDE, é que esta tendência vai perder o vapor, porque o aumento da despesa em consumo vai bater numa barreira onde se conjugam uma taxa de poupança historicamente baixa e uma fraca criação de emprego.

Quanto ao défice, a OCDE reviu em baixa a estimativa para este ano. A organização considera agora que 2016 vai terminar com um défice de 2,9 por cento, mais uma décima do que a última previsão feita em novembro do ano passado.

Perante esta revisão da meta das contas públicas, a OCDE admite que o governo tenha de tomar novas medidas de contenção orçamental e se a economia não ajudar - ou seja, se não acelerar o ritmo de crescimento - as probabilidades são ainda mais fortes.

Para 2017, e segundo os cálculos da OCDE, o défice vai baixar para 2,6 por cento. Ainda assim o valor é muito acima dos 1,4 por cento que o governo de António Costa comprometeu-se a cumprir no Programa de Estabilidade que entregou em Bruxelas.

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