Crise impõe «pausa» na redução do défice, diz Teixeira dos Santos

O ministro das Finanças defendeu, esta quinta-feira, no Parlamento, que a crise internacional obriga a uma «pausa» na consolidação orçamental. No entanto, a oposição voltou a acusar o Executivo de fazer previsões económicas irrealistas.

No debate sobre a revisão do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), no Parlamento, o ministro das Finanças defendeu que a actual crise obriga a uma pausa na consolidação orçamental, em nome da estabilidade do sistema financeiro e da economia, prometendo, porém, que a redução do défice será retomada.
  
«O rigor e a disciplina orçamental não são abandonados. As circunstâncias excepcionais desta crise internacional impõem uma pausa no processo de consolidação», disse Fernando Teixeira dos Santos, acrescentando que se trata de «uma pausa que se justifica».

No PEC, que o Governo enviará de seguida a Bruxelas, o Governo prevê um agravamento da taxa de desemprego para 8,5 por cento e uma derrapagem do défice para 3,9 por cento. 

As palavras do governante não foram bem recebidas pela oposição, que voltou a acusar o executivo liderado por José Sócrates de fazer previsões económicas irrealistas

O comunista Honório Novo estranhou que esteja prevista para o fim do ano de 2009 uma quebra do investimento, que agora é reforçado. «Os senhores estão convencidos que Portugal vai ser o único país da União Europeia a sair da recessão no final de 2009?», questionou.

«Este é um crescimento de facto extraordinário do investimento público que se deve às circunstâncias extraordinárias da conjuntura. Não teremos necessidade de, em principio, manter este esforço no futuro», respondeu o ministro das Finanças, prevendo um «regresso à normalidade» em 2009.

Por seu lado, o democrata-cristão Paulo Portas lembrou as palavras do ministro das Finanças sobre a alegada ausência de «GPS» ou de uma «receita» para sair da crise, que, na sua opinião, contrastaram com as declarações desta quinta-feira, dia em que o ministro passou a ideia de que conhece o rumo para sair da crise. Para Portas, o que se pede a um ministro das Finanças é que mostre «serenidade».

«Nós sabemos o caminho a sair. Estamos a seguir aquilo que a maioria dos economistas recomenda», reforçou Teixeira dos Santos.

Na interpretação de Francisco Louçã, do BE, o Governo está apenas a dizer que «não encontra nenhum objectivo que responda aos problemas nacionais».

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