Papéis do Panamá: PCP considera evasão fiscal "o cano roto do capitalismo"

À margem de uma sessão pública sobre renegociação da dívida, Jerónimo de Sousa criticou a fuga ao fisco permitida pelos paraísos fiscais e disse que a off-shore da Madeira tem de acabar.

"Juntando aqui casos como os do Luxemburgo, Holanda, Suíça, demonstra-se que a evasão fiscal constitui um autêntico cano roto do capitalismo, com uma consequência terrível para os Estados, que são esbulhados de milhares de milhões de euros em fiscalidade e tributação", disse.

O secretário-geral do PCP reafirmou que o partido "sempre esteve contra os paraísos fiscais" ('off-shore'), admitindo ser necessária alguma "concertação no plano internacional para que isso aconteça".

"Propusemos e vamos propor que é preciso acabar com os benefícios fiscais do 'off-shore' da Madeira. Uma segunda medida importante seria: os lucros ganhos cá no nosso país, deveriam ser tributados cá", enumerou.

Jerónimo de Sousa não deixou de notar que, "a confirmar-se a sua veracidade [da investigação], é, no mínimo, estranha, com certeza incompleta".

"Precisamente nos sítios onde há mais circuitos financeiros, designadamente nos Estados Unidos, e nem um para amostra (...), é caso para dúvidas quanto à dimensão desse estudo", intuiu.

O caso "Papéis do Panamá" (do Inglês 'Panama Papers') é uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), e destacou os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas "offshore" em mais de 200 países e territórios.

A partir dos "Papéis do Panamá", a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em "off-shore" (paraísos fiscais) para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

O semanário Expresso e o canal de televisão TVI estão a participar nesta investigação em Portugal.

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